Mídia/racismo

Era só dizer não: Sharon Menezes

1425671_10200970817898853_89938726_nComeço este breve artigo com duas premissas:
Não sou brasileiro
Não sou negro.

Em si, estas duas  afirmações são suficientes para que alguém  desqualifique o que vai ser colocado neste artigo. Mesmo assim, eu vou escrever, com ou sem erros de ortografia e sintaxe.
Ante ontem foi navegar no meu instagram. O que que eu encontro na pagina da Sheron Menez, que admiro muito pela sua profissionalidade, beleza e coragem de estar trabalhando num canal da televisão como a Globo.??? Vocês podem ver na foto a seguir.

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Fiquei de queixo caído, e não pelos traseiros em mostra, coisa que deve ter deixado muit@s babando,  se não, pelo flash back de uma imagem como essa. Pode ser que a  minha imaginação seja bem fervida, mas de repente me senti no meio de um mercado publico da época colonial. Mesmos sorriso, mesma carne em exposição, mesma linguagem desviante que só quer vender um produto, esta vez com o consenso da própria  mercadoria. Tirando o fato que a Globo continua vendendo a imagem de que o carnaval não tem nada a ver com a discussão de temas, com o esforço de fazer memória da historia do mundo,  com a afirmação da cultura negra  e por isso todo ano coloca uma mulher pelada na telinha, reforçando a ideia de que as “mulatas” servem somente pra isso; fica a pergunta do porque isso acontece justamente no mês da consciência negra. Claro, entendo que aqueles que se revestem do machismo como arma para afirmar sua masculinidade acham isso “fantástico” e provavelmente adorariam ver mais. Porém, este artigo não quer falar deste assunto.
Eu quero é  falar, ou melhor, desabafar e questionar a escolha da Sharon Menezes. Sabemos que na historia dos negr@s brasileir@s sempre houve pessoas negr@as que se associaram ao poder dominante. Isso foi causa de traições, assassinatos, desgraças para muitos brasileir@s negr@s. Fazer que o mesmo negro assumisse o trabalho sujo do seu dominador foi uma estratégia que ainda hoje encontramos nas estruturas deste país. Negro matando negro, negro acusando negro. Agora, negro vendendo negro??? Achava que esta postura de sobrevivência dos afrodescendentes dentro da história brasileira tivesse diminuído, ou melhor, que a consciência da população afro-brasileira, especialmente aquela que tem um papel visível e de referência, tivesse suficiente força para dizer não. Mas eu estava errado, e como estou errado. Me pergunto: o que leva uma mulher negra já afirmada, já, imagino pelo cachê que recebem os atores, com uma certa segurança econômica, aceitar um papel no qual a sua própria “raça” vem sendo desvalorizada e, por cima, postar uma foto dessa num canal virtual acessado por milhões de pessoas (a fotografia já foi removida do instagram).  E ainda tão importante aparecer na Globo as custas de milhões de mulheres negras que, no somente no Brasil, continuam sendo apresentadas como objetos de prazer  e que são rebaixadas a serem usadas e desconsideradas nesta terra amaldiçoada pela racismo velado??? Um contrato com a GLOBO chega a comprar a consciência de qualquer um neste país???
Talvez pelo fato dela ter a coragem de usar o cabelo cacheado deu me a impressão que ela era diferente e que podia fazer a diferença. Engano meu. E aí está ela com a cara no meio dos traseiros das “ mulatas”. E´ tão difícil dizer não Sharon Menezes??? Depois de tantas pessoas que lutaram para a igualdade neste país, é tão fácil deixar uma consciência ser comprada??? Ou talvez esteja escrevendo a mais uma consciência “embranquecida”.

Arturo Bonandi

8 pensamentos sobre “Era só dizer não: Sharon Menezes

  1. Arturo! Você pode não ser negro e nem brasileiro, mas tem uma consciência do “racismo à brasileira” que muitos brasileiros, brancos e negros, ainda se negam a enxergar. Parabéns pelo artigo. Concordo com cada palavra sua.

  2. E as brancas que mostram a bunda e muito mais no Pânico, diariamente, em posições bem mais constrangedoras? Ali são brancos vendendo brancas. Faustão também faz isso todo domingo. Não vejo como racismo, vejo como “mercantilização” das mulheres como um todo, sejam brancas, pretas, amarelas ou azuis. Se a mulher no Brasil tem bunda grande e vontade de aparecer, mais cedo ou mais tarde algum jornal, revista ou canal de TV vai mostrar. E se oferecessem para os homens a grana que as mulheres levam só para terem a bunda fotografada, ia faltar memória na câmera. O dinheiro corrompe a tudo e a todos no Brasil.

    • Vc esta coberto de razao meu querido escritor. Sou militante da causa quilombila, sou afrodescentente e ninguem chama um grupo mulheres negras para uma mesa redonda na rede globo com temas como o racismo imbutido no pais. E mais facil usar aiimagem de jovens negras que na sua esperamca de sucesso se deixam levar por esses momentos. Pessima postura da Sharon Menezes. Vendendo carne negra no mercado dr brancos. A historia se repete.

    • Claudio, no programa Pânico eles seguem um padrão que foi criado e é mantido por muito tempo. As “Panicats” são sempre as mulheres brancas de pernas grossas e seios siliconados. Talvez não denigram tanto a imagem delas, porque adquirem inúmeros fãs, estão rodeadas por pessoas ricas e sempre convidadas para eventos de alta classe. Não existem “Panicats” negras até então, porque não seguem esse padrão. As mulheres negras estão ganhando essa visão agora para fazer o marketing do evento carnaval. E quando chegar na quarta-feira de cinzas as negras voltam a suas vidas normais.

    • A diferença entre as mulheres brancas e negras na mídia, é que as brancas ainda têm certo espaço para mostrar que têm algo a mais: são apresentadoras de programas matutinos, são âncoras no jornal, falam de famosos, discutem política e esportes (ainda sofrendo certo preconceito, óbvio). Mas esse mesmo espaço que a mulher branca tem é dado à negra e à mulata? Elas no máximo atuam em novelas como escravas ou faxineiras. Se são ricas foi porque criaram algum hit de sucesso ou deram golpe do baú, nunca estudo e esforço próprio. Nunca nascem ricas, como tantas brancas na dramaturgia. E olha que tem mais negro e mulato nesse país, a lógica manda que o espaço que eles ocupem seja diretamente proporcional.

  3. O que você esperava ? É a GLOBO, a número 1 do Brasil. A TV brasileira esta muuuuito atrasada culturalmente (como também está nosso país), a TV Globo esta congelada faz meio século na cultura da novela. Pouco mudou desde que eu assisti pela primeira vez… aliás piorou. Toda porcaria cultural que aparece como o funk carioca por exemplo ganha força com a Rede Globo. Obrigado Deus por eu ter TV a cabo e ter outras opções para assistir do que a porcaria da TV brasileira. (Sim falo de TODOS OS CANAIS exceto a TV Cultura) E o Carnaval é o auge da baixaria cultural, podem me xingar mas é minha opinião… nunca gostei de carnaval. Isso é o resultado da cultura do carnaval. Vai no papo da Dilma que nosso país esta bem… passou ileso na crise mundial blablablabla… e você acreditou né. Não gosta de ver mulher como objeto? Então não não dê uma de Maria vai com as outras nos movimentos culturais como o carnaval e funk carioca pois é isso que eles vendem. Muda a cabeça Brasil!

  4. O carnaval não tem nada a ver com a discussão de temas, com o esforço de fazer memória da historia do mundo, com a afirmação da cultura negra. Nunca teve. É puro turismo sexual, alienação, baixaria e mau gosto. E pior, reproduz a nossa sociedade, pois o povão e as prostitutas sapateiam na avenida e os ricos ficam rindo nos luxosos camarotes, como se fossem reis e os “foliões” os bobos da corte”. Se o povo tivesse vergonha na cara não serviria de esteio para esse brutal golpe contra a consciência de classe. E esse país continua sendo o dos craques e das bundas, por culpa desse maldito carnaval, do futebol e da televisão. Não entendo esses artigos querendo politizar o futebol e o carnaval, fazendo o jogo da direita, sem receber nada por isso. Querem politizar alguma coisa vão falar de política, pois é disso que estamos precisando, não de ficar defendendo putaria. Agora para quem está se dando bem é uma maravilha, principalmente os cartéis das multinacionais, dos bancos e os políticos vendidos…

  5. Você viajou na maionese onde tem racismo ali. Você queria o que? que uma loira apresentasse o programa? Racismo foi na época do é o tchan que quando a dançarina negra saiu ela foi substituida por uma morena.

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