história/Pastoral Afro

Oralidade Africana.

memopal1A religião Africana, sobretudo a nação dos Orixás está estabelecida principalmente na oralidade, na transmissão dos conhecimentos dos mais antigos para os mais novos. O conhecimento transmitido de forma oral e carente de registros escritos, fez com que muito fosse perdido, adaptado e mesmo modificado, ao decorrer do tempo. Mas de forma alguma pode-se dizer que nossa cultura ocidental é mais desenvolvida que a cultura africana (oral), são tradições diferentes, formas diferentes de pensar.

Todas possuem a mesma seriedade, e o mesmo valor, não é possível querer comparar, é necessário saber analisar as diferenças para pode perceber o que existe de melhor em cada uma.

“Nada prova a priori que a escrita resulta em um relato da realidade mais fidedigno do que o testemunho oral transmitido de geração a geração”. (A HAMPATÉ BÂ).

De forma alguma é possível afirmar que o conhecimento oral é de menor valor que o escrito, ou que o escrito apresenta maior veracidade. Pode-se sim, afirmar que o conhecimento escrito encontra-se em maior possibilidade de ser preservado, independentemente de sua veracidade. Ao escrever ampliamos o leque de alcance de um um conhecimento, e possibilitamos que o conhecimento seja replicado aé mesmo em outros territórios, bem além as fronteiras de onde ele foi produzido.

“Os próprios documentos escritos nem sempre se mantiveram livres de falsificações ou alterações” (A HAMPATÉ BÂ).

Um provérbio antigo yorubá, coloca que cada indivíduo que morre é uma enciclopédia que morre com ele, destacando todo o conhecimento que deixa de ser transmitido, de ser aprendido. A cultura ocidental não valoriza o idoso, enquanto a cultura africana a valoriza mais, pois o conhecimento que o idoso possui é fruto e tempo, dedicação, observação entre outras.

“A palavra, os textos rituais constituem componente importante da ação ritual, mas ficando significativos em relação ao contexto, em relação aos outros componentes” (SANTOS, p.51).

Poderia-se discutir sem se chegar em um consenso de qual forma melhor preserva um conhecimento, de forma oral ou escrita, e nem é esta o objetivo aqui, que é apenas analisar uma percepção sobre a oralidade.

“O conhecimento e a tradição não são armazenados, congelados nas escritas e nos arquivos, mas revividos pemanentemente “SANTOS, p. 51).

A questão é que nem todos transmitem o conhecimento aprendido, e mesmo não transmitem o conhecimento que lhe foi transmitido na expectativa de esperar o momento adequado para aquele aprendizado.

Hoje na era da informação, em um mundo fácil de fazer registros é importante que façamos registros de todo o conhecimento que é aprendido e produzido em um Ilê, pois além de garantir a replicação no futuro, faz com que tenha-se uma unidade.

Com o passar do tempo e modernização das sociedades, a escrita passou a ser mais valorizada e a oralidade considerada um conhecimento inferior e primitivo, embora já foi discutido nada prova que seja inferior.

É inegável a riquesa de detalhes, de conhecimentos transmitidos pela oralidade humana, especialmente africana, em quesitos como religiosidade, culinária e cultura em geral, ignorar a sua oralidade é ignorar tudo isso.

Com a oralidade é possível compreender melhor algumas coisas que muitas vezes seriam mal compreendidas de forma escrita.

“A transmissão oral é uma técnica a serviço de um sistema dinâmico. A língua oral está indissoluvelmengte ligado à dos gestos, expressões e distância corporal” (SANTOS p.47).

“A oralidade é um instrumento a serviço da estrutura dinâmica nagô” (SANTOS, p. 47).

A oralidade permitiu a perpetuação de uma grande quantidade de saberes em um tempo e local em que a escrita muitas vezes não era disponibilizada. Com a oralidade a cultura africana desenvolveu uma forma de manter a preservar seu conhecimento e cultura.

Ao se transmitir fundamentos da religião africana a partir da palavra, de certa forma também se selecionou quem deveria aprender, com a palavra escolhemos quem será nosso ouvinte, com a escrita não nos é permitido isso.

fonte:redeafrobrasileira

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