Pastoral Afro

Carta sobre a CF 2013 da Pastoral Afro de Campinas

pastoral Afro sulCampinas, 08 de Fevereiro de 2013.

 

Excelentíssimo Senhor

Dom Airton José dos Santos

Arcebispo Metropolitano de Campinas

 

Prezado Pastor,

 

A Campanha da Fraternidade deste ano de dois mil e treze retoma o esforço e a

preocupação da CNBB que, já em 1992, abordava o tema “Fraternidade e Juventude”

que continua tão urgente como atual. Desejando efetivamente participar desta

sensibilidade eclesial, escrevemos-lhe esta carta, no intuito de colaborar com seu

ministério pastoral e pedir que Vossa Excelência mencione, em seu pronunciamento na

abertura da Campanha da Fraternidade, no próximo dia 13/02/2013, a alarmante

situação da mortandade entre a juventude em geral, principalmente de jovens negros

que, segundo estatísticas, morrem três vezes mais que os jovens brancos. (conforme

anexo Juventude Viva).

Se, como propõe o texto-base CF2013, queremos olhar a realidade dos jovens,

acolhendo-os com a riqueza de suas DIVERSIDADES, propostas e potencialidades:

entende-los e auxiliá-los neste contexto de profundo impacto cultural e de relações

mediáticas, fazer-se solidária em seu SOFRIMENTO e ANGUSTIAS principalmente

aos que mais sofrem com os desafios desta mudança de época e com EXCLUSÃO

SOCIAL” (108 p 31); urge assumir que esta situação atinge a maioria da juventude

negra, que sobrevive em condição de exclusão social, exposta a maior vulnerabilidade,

vitimizada pela violência e criminalidade. Cremos ser coerente que a Igreja Católica se

coloque ao lado da Justiça e que não se cale ante as torturas e extermínio dos jovens

pobres e negros nos dias de hoje, herança do processo de escravização (de seus

ancestrais).

Destacamos, nos números 108 e 109 do mesmo subsídio, que “os jovens que

sofrem violência não são apenas números quantitativos, mas revela em si a

significância concreta das pessoas reais, com sonhos, famílias, esperança, angustia e

deseja de VIDA”. Os milhões de jovens vitimados pela violência estrutural de nossa

sociedade deixam de ser atores, protagonistas de suas próprias vidas e da história,

para somar os números desoladores de pesquisas sobre morte de jovens no país. Esse

cenário repugnante de violência institucionalizada conclama ações e mobilizações

para a superação dessa situação… visando à construção de uma sociedade que

ofereça condições de vida para todos”. O que nos faz compreender a efetiva

necessidade de cobrar das autoridades e organizações políticas e sociais a elaboração e

realização de políticas públicas para a juventude, comprometendo-nos como Igreja na

defesa da sua vida por acreditar “na jovialidade e beleza deles por questão meramente

estética ou poética, mas por considerá-los agentes protagonistas de transformação”!

Estamos comprometidos com a criação de um programa JUVENTUDE VIVA,

tendo como um dos seus objetivos principais o PLANO DE PREVENÇÃO À

VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA (vide anexo). Situação que, além do

Estado Brasileiro, já é motivo de preocupação da OEA, da ONU e outras entidades

internacionais dedicadas à defesa dos DIREITOS HUMANOS. Por isto, esperamos que

a Arquidiocese de Campinas, a partir de sua doutrina cristã de DEFESA DA VIDA,

esteja também incomodada com esta dura realidade e fomente seus organismos

pastorais, em particular a Pastoral da Juventude (PJ), e a multidão de seus agentes de

pastoral, a necessidade de olhar para este seguimento juvenil com o mesmo olhar

 

 

 

 

 

 

 

 

carinhoso que a Virgem Mariama olhava para o menino Jesus e com a firmeza

missionária de Cristo Jesus na efetivação das pistas de ações propostas pela CF2013,

buscando a legitimação do DIREITO de VIVER de toda juventude independente de

raça, cor, sexo, credo.

Entre as indicações para ações transformadoras do texto-base, chama-nos a

atenção os números 314 a 316 que abordam sobre a observância em relação às

comunidades rurais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas, provocando a perceber a

diversidade social e respeito a estas realidades juvenis, à nossas reflexões e ações

urbanas. Remetem-nos ainda a ter sabedoria e discernimento para entender a

importância do ecumenismo e diálogo inter-religioso, observando as culturas pós-

cristãs, marcadas pelo pluralismo religioso. “O Concílio Vaticano II proclamou-se o

direito a liberdade religiosa, que vai do diálogo da caridade ao diálogo da comunhão.

O pluralismo religioso suscita desafios da ação evangelizadora”. Vemos nestas

considerações uma sensibilidade, disponibilidade e preocupação da Igreja Católica

através da CNBB nesta CF2013, com a INCLUSÃO da juventude sem distinção dos

aspectos de sociais, culturais, territoriais, raça/cor, sexo e credo (católica cristã ou não).

Encerramos esta carta, reafirmando que a juventude negra só poderá dizer “EIS-

ME AQUI, ENVIA-ME”, se tiver vida plena e em abundancia! Por isso, insistimos em

pedir que Vossa Excelência, explicitamente, faça referência à situação desta parte da

juventude, sedenta e desejoso de viver, para que, junto com outros grupos juvenis,

possam fazer o caminho missionário rumo à Jornada Mundial da Juventude, vivendo

“plenamente o processo de renovação de seu carisma original, que não deixa de

enriquecer a diversidade com que o Espírito Santo se manifesta e atua no povo

Cristão . (CELAM, DA nº311)

Confiantes em sua sensibilidade de Pastor, aguardamos esperançosos o seu

pronunciamento na Abertura desta Campanha da Fraternidade, rezando ao Cristo Pastor

e Mestre, que a todos nos conduza pelos caminhos da verdade e da vida.

 

Assinam esta carta a Pastoral Afro Brasileira da Arquidiocese de Campinas, seu

assessor Padre Paulo Roberto Rodrigues, e outras entidades e instituições do movimento

jovem e do movimento negro de Campinas.

 

ENTIDADES:

APNs-Agentes de Pastoral Negros do Brasil

Força da Raça

EDUCAFRO Campinas

Liga Humanitária de Assistência Afro Brasileira

Juventude Negra da Comunidade São Joaquim e Santana

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