Mídia

LADO A LADO (com o racismo de sempre)

O papel de Lázaro Ramos (33) em Lado a Lado, próxima novela das 6 da Globo, fará os telespectadores refletirem sobre um problema social que acontecia em 1903, 15 anos após a abolição da escravatura, mas que permanece em todos os cantos do país até hoje: o racismo.

“Ali era o nascedouro de tudo. Antigamente, se for pensar, a luta era somente para ter onde morar. Tudo se passa apenas 15 anos após a abolição da escravatura, em que a princesa Isabel deu uma canetada com duas frases, que não explicavam o que ia acontecer com esse contingente todo [de negros] que veio para o Brasil. A luta das pessoas era para ter o que comer. Era mais primal”, afirma o ator.

Para o galã, as favelas são a grande prova de que muitos negros ainda lutam para ter o que comer e para ter uma moradia melhor. “Hoje em dia existem outras lutas: por uma maior qualidade de educação, por uma maior inserção em cargos profissionais que usualmente não são ocupados por negros. Uma luta para ocupar cargos públicos, cargos políticos. As cores, as tintas dessa questão são outras, mas continuam existindo. Infelizmente o racismo ainda está aí, ainda existe”.

Lázaro também ressalta as mudanças no combate às ações racistas ao longo dos tempos e lembra uma situação discriminatória vivida pelo cantor brasileiro Seu Jorge (42) na Itália. “A gente já entendeu que para resolver a exclusão e o racismo, não existe uma estratégia somente. Eu acho que, talvez, a grande mudança seja essa. Perceber a situação e descobrir qual vai ser a estratégia para a situação, e não achar que é somente uma estratégia, a da luta e do grito. Talvez a luta e o grito sejam necessários em algumas situações extremas. A história que aconteceu com o Seu Jorge, agora pouco, na Itália, é chocante e tem que gritar mesmo”.

Personagem em Lado a Lado

Com um personagem tão intenso, Lázaro não o vê como um protetor dos direitos dos negros, mas sim de todas as etnias e um grande exemplo de amor próprio. “Ele é um personagem que tem muita autoestima. E isso eu já gostei nele. Ele nunca abaixa a cabeça, chega nos lugares e diz: ‘eu também tenho o direito de estar aqui. Eu vou ter uma vida melhor, eu quero construir um mundo melhor’. Esse é o texto do personagem: ‘Eu quero falar de escravidão somente como uma lição, para que isso não se repita’”.

Para seu intérprete, Zé Maria retrata a importância de gostar de si mesmo. “É bacana que isso acaba atingindo brancos, negros, crianças, adultos, idosos. Porque essa é uma frase que serve para todo mundo: autoestima nunca faz mal. Não pode ir para a arrogância, mas nós gostarmos de nós mesmos já é um grande caminho”. E acrescentou, detalhando sua maneira de combater a diferença racial, também citando Espelho, seu programa no Canal Brasil: “O meu caminho é da afirmação, o de propor soluções. É como eu sinto, é como eu, menino, lá de Salvador, do bairro do Garcia, sentia a situação toda. Agora que tenho a oportunidade de dirigir um programa de televisão, estou oferecendo o meu discurso”.

O galã ainda procura fazer o mesmo quando dirige suas peças teatrais ou quando esteve à frente de O Curioso, quadro do Fantástico exibido em 2010. “Me aproveito desse microfone conquistado para mostrar um pouco o meu olhar, para compartilhar, para não ficar só reclamando, para ser pró-ativo”.

“Essa novela, além de entreter – porque eles estão fazendo uma novela, um folhetim – tem esse subtexto que é muito importante para a gente se perceber, perceber onde a gente está e de onde a gente vem. Ele provoca uma discussão, da melhor forma que tem, que é tocando o sentimento das pessoas, sem ser didático. É uma novela que está aí também para entreter”, finalizou.

Fonte: Uol Notícias

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