ações afirmativas

Mesmo com decisão a favor do STF, Partidos ignoram cotas

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em abril deste ano, declarou a constitucionalidade das ações afirmativas e das cotas para negros e indígenas como forma de reparação, não alterou a posição dos partidos políticos brasileiros, tanto do Governo quanto da Oposição, em relação ao tema: nas eleições deste ano, nenhum deles adotou cotas para negros.

O assunto nem sequer chegou a ser cogitado nas discussões que antecederam a montagem das chapas de candidatos a vereador, admitem as lideranças negras que militam nos partidos tanto do Governo como de Oposição.

Apenas na Bahia, os partidos tomaram uma iniciativa que vem sendo considerada um avanço: as principais legendas indicaram para vices candidaturas negras, inclusive, o herdeiro do “carlismo”, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), que escolheu a militante negra Célia Sacramento, do PV, como companheira de chapa.

Os outros vices negros são a vereadora do PC do B, Olívia Santana (foto), que integra a chapa do candidato do PT, Nelson Pelegrino, e Nestor Neto, que faz parte da chapa de Mário Kertész, candidato do PMDB.

Além dos vices na Bahia, há dois candidatos negros a prefeito, em Salvador: Bispo Márcio Marinho, ligado aos evangélicos, do PRB, e Hamilton Assis, do PSOL.

Segundo o professor Joviniano Neto, do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a escolha pode ser entendida “como parte de uma estratégia de se aproximar de forma simplista o eleitorado do pobre, cuja maior parte é negro”.

Vetos no sul

Além de ignorarem cotas para candidatos nas eleições municipais, começam a surgir denúncias de vetos à candidaturas negras ou vinculadas a agenda do movimento social negro, como o hip hop no interior das legendas.

O caso da Bahia parece ser isolado porque, segundo lideranças ouvidas, que preferem manter seus nomes sob sigilo, as dificuldades para negros nos partidos, ainda são a regra.

Em Pelotas, Rio Grande do Sul, por exemplo, o rapper Thiago da Costa Moura, o Gagui IDV, 30 anos, denunciou à Afropress ter tido seu nome vetado pelo deputado Catarina Paladini, do PSB.

“Já trabalho com o deputado há mais de um ano na assessoria dele e recebi convite para me candidatar a vereador nessas eleições de 2012. Seria eu um representante legítimo do Hip Hop pelo trabalho que executo desde 1.998. Mas, como o irmão do deputado concorrerá a vereador e o Partido hoje se encontra nas mãos dele, ele decidiu cortar todas as candidaturas que ameaçariam a do irmão; todas as que tivessem reais possibilidades de atrapalhar a dele”, denuncia o rapper, que recebeu a solidariedade do Movimento Negro de Pelotas, tornada pública pelo coordenador da Frente Negra Pelotense, Cláudio Rodrigues.

Fonte: Portal Áfricas

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