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MNU: 34 anos de luta contra o preconceito racial

Em 07 de julho de 1978 as escadarias do Teatro Municipal de São Paulo foram palco do ato público que convocava homens e mulheres negros a reagir à violência racial a qual eram submetidos. Naquele momento, a sociedade brasileira era apresentada ao Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNU).

O MNU nasceu quando representantes de várias entidades se reuniram em resposta à discriminação racial sofrida por quatro garotos do time infantil de voleibol do Clube de Regatas Tietê, e à prisão tortura e morte de Robison Silveira da Luz, acusado de roubar frutas numa feira.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, o MNU foi um marco para a esperança de negros e negras brasileiros na luta contra o racismo e o preconceito. “O Movimento Negro Unificado sempre deu uma grande contribuição na busca pela igualdade de oportunidades entre negros e não negros”, afirma. “Muitas das organizações de combate à discriminação racial no Brasil inspiraram-se neste movimento, o qual ainda é hoje uma referência de força e resistência para a população negra”, finaliza.

Após o ato no Teatro Municipal, o MNU lutou para fazer a população negra sair das salas de debates e das atividades lúdicas e esportivas, para ações de confronto aos atos de racismo e discriminação racial, elaborando panfletos e jornais, realizando atos públicos e criando núcleos organizados em associações recreativas, de moradores, categorias de trabalhadores, nas universidades públicas e privadas.

A luta do MNU foi aos poucos ganhando força e se refletiu na atitude do Estado em relação aos debates sobre a discriminação racial, culminando com a criação, em 1984, do primeiro órgão público voltado para o apoio dos movimentos sociais afro-brasileiros: o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra no governo Franco Montoro, então governador de São Paulo.

Constituição de 1988 – Foi ainda durante o mandato de Montoro que um representante da população afrodescendente compôs a Comissão Arinos, que criminalizou a discriminação racial na Constituição Brasileira de 1988. A tipificação do racismo como crime foi estabelecida pela Lei Caó, de autoria do deputado Carlos Alberto de Oliveira, promulgada em 1989.

A luta contra o racismo também entrou para a pauta de discussão das centrais sindicais a partir da década de 1990. O V Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reconheceu a importância da temática racial para a organização dos trabalhadores, e, a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) foi responsável pela organização do Seminário Nacional de Sindicalistas Anti-Racistas em 1990, no Rio de Janeiro, o qual resultou numa Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial.

Iedo Ferreira, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado, espera que a luta dos próximos anos seja pela reparação aos negros e negras do Brasil. “É preciso resgatar a nossa identidade e nos dedicar pela reparação para o povo negro do Brasil, que foi escravizado e tanto sofreu, afinal, sem identidade ninguém luta e a nossa luta precisa continuar”.

Por Drielly Jardim

Fonte: Fundação Cultural Palmares

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