Escola e educação

Em cada 36 diplomados, só um é negro

Para cada 36 pessoas com ensino superior completo na RMC (Região Metropolitana de Campinas), apenas uma é negra. O total é bem superior ao total registrado no Brasil, que é de 19 brancos para cada negro. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O total também é maior do que o total de negros para cada branco na RMC, segundo o Censo. A região tem um negro para cada 12 brancos.
Christian Carlos Rodrigues Ribeiro, sociólogo e pesquisador de estudos afrobrasileiros, reconhece que, nos últimos anos, “houve uma melhora na situação socioeconomica do País, mas ainda insuficiente para que as desigualdades históricas que afetaram a maioria das populações afrodescendentes tenham sido erradicadas, ou seja, a luta ainda está acontecendo”.
Para ele, a situação também é reflexo de gerações descendentes de ex-escravos, “sempre marginalizadas socialmente, ou sem acesso econômico para melhores oportunidades”. Para o sociólogo, as cotas, “infelizmente ainda são uma forma de reparação das injustiças históricas”.
O recém-formado em comunicação Fábio Caetano é um exemplo de “exceção”. Negro e formado em uma universidade privada de Campinas, acredita que a situação é “reflexo da sociedade que privilegia uma elite minoritária do Brasil. Mesmo com as cotas, não sei se isso vai para frente, muita gente é contra. Os próprios negros estão divididos em relação a isso”, encerrou. Diante do cenário desigual, outro desabafo do pesquisador Christian Ribeiro demonstra a falta de apoio para a comunidade negra local: “o próprio conselho da Comunidade Negra de Campinas existe, mas não tem apoio do poder público e nem divulgação para despertar interesse da participação da sociedade”.
MAIS DESIGUALDADE
Já o número de brancos que têm curso médio completo e superior incompleto é 14 vezes maior que o número de negros na mesma condição na RMC. Esse total é bem maior do que a média nacional. No resto do País, esse mesmo índice fica em dois brancos para cada negro.
Para a professora Angela Soligo da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) um dos principais fatores é a questão socioeconômica. “Você tem mais pessoas negras nas classes mais baixas, o que faz com que parte dessa população não chegue às universidades. O racismo é outro fator que deixa esta população fora do nível superior, por experiências negativas que as crianças e adolescentes tem na escola por serem negros”, afirmou a professora.
“Elas são vítimas de racismo na escola e percebem isso, o que faz que muitas (crianças) deixem ou evitem a escola, isso produz fracasso escolar e muitas sequer chegarão ao ensino médio”, acrescentou a especialista que lembrou também que muitos começam a trabalhar após o ensino médio e por isso não acessam o ensino superior.
Fonte: TodoDia

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