racismo

Belo Horizonte, 13 de maio de 2012, EMICIDA LEVADA A DELEGACIA

O cantor Emicida esteve na capital mineira para encerrar a programação da terceira edição do Palco Hip-Hop. No início de sua apresentação, o músico fez um comentário de protesto e solidariedade a várias famílias sem teto que foram brutalmente desalojadas por policiais em uma operação de invasão e reintegração de posse no acampamento Eliana Silva, na regional do Barreiro, em Belo Horizonte. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se f…, certo, BH? A rua é noiz.”

Os policiais que faziam a segurança do evento se sentiram ofendidos pela declaração. Ao encerrar o show e descer do palco, Emicida foi orientado pela polícia a voltar e a se retratar pelo o que disse, caso não o fizesse, seria detido. O rapper se recusou e foi conduzido pela Polícia Militar a 36ª Delegacia Seccional do Barreiro. Interrogado sobre qual foi o motivo que ocasionou a detenção de Emicida, o tenente Valtair Pires de Barros, responsável pela operação, disse que o músico incitou a população contra a polícia e desacatou os policiais presentes.
O advogado do Emicida, Elcio Pacheco declarou que seu cliente “teceu uma crítica à policia militar. Eu não vejo nenhum motivo para crime nessa situação, acho isso uma arbitrariedade e uma ilegalidade. Nós estamos em um país democrático, isso é uma afronta ao direito de expressão. Ele é um cidadão e pode fazer crítica a qualquer instituição.”
Na delegacia, Emicida se recusou a assinar o boletim de ocorrência. Em nota, o rapper explicou que na versão registrada pelos policiais, ele teria dito uma frase diferente do que realmente falou no show. Segundo a polícia, Emicida fez a seguinte declaração:

Foto: Etiene Martins

“Eu apoio a invasão do terreno Eliana Silva, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio pra cima, direcione aos policiais, pois todos esses têm que se f…”
Procurado pela nossa reportagem, Emicida não quis falar sobre assunto. Em seu blog, porém, agradeceu o apoio dos fãs, além de publicar o áudio do show (com sua verdadeira declaração) e a íntegra do boletim de ocorrência registrado pelos policiais.
A única declaração que o músico deu à imprensa após ser detido em Belo Horizonte foi: “13 de maio um rapper negro é preso por cantar uma música”.

A mestre de cerimônias Stefanie Ramos apresenta o Palco Hip Hop, que teve o grupo de dança Spin Force Crew como uma das atrações

Foto: Etiene Martins

PALCO HIP HOP
O festival movimenta a cultura hip hop da capital mineira e trabalha com uma proposta de descentralização da cultura. Um dos diferenciais do evento é que ele é construído de forma coletiva.
Desde sua primeira edição, a programação é ampla com diversas oficinas, dança de rua, debates, sarau de poesias, seminários e shows. O projeto valoriza artistas de Belo Horizonte e de todo o estado de Minas Gerais, promovendo a integração entre grupos e artistas locais e nomes já consagrados do hip hop nacional. O Palco Hip Hop proporcionou que a música, a dança e o graffiti que antes só eram vistos nas ruas, ganhassem os teatros, as galerias e o reconhecimento de um público que desconhecia o movimento.
fonte: revista RAÇA

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