Política e direitos humanos

A MULHER PRETA E O DESAFIO DA MATERNIDADE EM UMA SOCIEDADE RACISTA

Os desafios das nossas ancestrais pretas se tornaram dores inextinguíveis com o surgimento do tráfico transatlântico e o sequestro de crianças, adolescentes e adultos. A separação causou sofrimento em milhões de mães africanas, este inimaginável aos nossos pensamentos, e a tristeza pairou em todo o período do sequestro, porque a separação do ventre materno: África: significou a separação de mães amorosas e filhos amados.

Para a mulher preta escravizada nas Américas à maternidade trouxe desafios outrora desconhecidos em terras africanas, afastadas dos rituais religiosos do nascimento e de iniciação em muitas sociedades, abalou o processo identitário, especialmente nos nascimento de gêmeos.

A mulher preta no Brasil Colônia e Império enfrentou desafios em uma nova sociedade, onde os ritos de nascimentos são ignorados, e a maternidade em muitos casos é decorrente do estupro, de nascimento de filhos considerados ilegítimos pelos progenitores; senhores de engenhos e seus filhos e em muitos casos os chamados “filhos de padres”. Propagando uma nova realidade nas relações de maternidade e da escravidão: a crise da mestiçagem e a negação cultural da ancestralidade materna e da própria genitora, casos estes relatados em diversos exemplos na literatura brasileira.

Na escravidão, a função materna da escravizada vai se adequar aos desejos de lucro do senhor de engenho. A gravidez tinha concepções diferentes para muitos senhores de engenho, eram novas bocas a alimentar no processo produtivo, ou uma necessidade de aumentar a renda, sendo assim muitos senhores engravidam as escravizadas, e vendem os bebes considerados por eles, apenas uma mercadoria.

Ocorreu no Brasil, houve uma quebra da ancestralidade e de conceitos maternos africanos com a resistência na prática de aborto e do infanticídio, mais uma vez, a escravidão desfigurou o papel da maternidade, abalando estruturas milenarmente construídas de gestação e criação em território africano.

Nesse ínterim, cria-se no Brasil um elaborado mito de maternidade: a Mãe Preta, uma mulher feliz que amamentava os filhos de senhores e foi ativa participante de um país sem racismo e poucos conflitos. A Mãe Preta da democracia racial de Gilberto Freire e seguidores.

Na realidade, a Mãe-preta foi uma mulher infeliz é obrigada a amamentar os filhos dos seus algozes, enquanto os seus filhos foram vendidos e os que ficaram sofriam de inanição, por pouco leito materno. Muitas escravizadas, as chamadas amas de leite forneceram lucros às boas famílias católicas ao terem os seus peitos alugados para amamentação de crianças brancas.

Abaixo: Fernando Simões Barbosa com ama–de–leite – Euge

Mauricio – Recife, c.1860–1869. Crédito: Fundação Joaquim Nabuco, e Monumento a mãe-preta na matriz da Fraternidade Eclética Universal.

Uma realidade nova se propagou: a função de ser mãe solteira em uma sociedade patriarcal e racista. A dificuldade em criar os seus filhos obrigou as mulheres pretas a deixarem os seus bebes enjeitados nas Santas Casas a Roda dos Expostos.

A pobreza extrema que foi jogada a população preta no Brasil reforça os laços do chamado compadrio, onde muitas crianças foram entregues a parentes, pessoas estranhas e as chamadas comadres endinheiradas ou de melhor situação financeira criando uma rede de exploração de crianças que em muitos casos serviram como serviçais nas residências de famílias mais abastadas. As mulheres pretas não foram culpadas dessas atitudes.

Com o advento da abolição da escravatura a mulher preta traz consigo os traumas da escravidão e novos desafios teve que enfrentar, por causa da maioria das famílias desestruturadas. Além da pobreza, aprender a vencer desafios e preconceitos em uma sociedade judaico-cristã: Mulher preta, pobre e mãe-solteira.

A mulher preta é uma heroína na sociedade racista, não só como provedora de muitos lares, mas, como sustentáculo das tradições ancestrais. Quando os seus filhos e filhas começam a enfrentar as discriminações por causa da cor da pele, a mãe é o apoio e a orientação para a preservação da autoestima. E ela que suporta e procura os meios de combater a discriminação, é o verdadeiro amor que sofre com as tristezas e exulta com as vitórias.

O desafio da maternidade ainda é para muitas mulheres pretas questões de profundas análises, porque só elas sabem, os grandes desafios que vão enfrentar para o sustento e a educação dos seus filhos e filhas.

Felizmente, as mulheres pretas apesar das dificuldades herdadas da escravidão dos nossos ancestrais e dos novos desafios após a abolição da escravatura, tem mantido as nossas tradições e formando gerações de pretas e pretos orgulhosos de terem o prazer de chamar uma mulher preta de: mãe.

fonte: http://cnncba.blogspot.com.br/

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