racismo

Racismo faz mal a saúde

Uma das principais causas da desigualdade no tratamento entre brasileiros, o racismo compromete a saúde e a vida de mais da metade da sociedade, ou seja, os negros, e ter uma política específica para a população negra é evidenciar e corrigir as distorções que impedem um tratamento igualitário aos afrodescendentes. É assumir o enfrentamento do racismo que faz mal à saúde “para quem é vítima do racismo”.
Segundo a médica Jurema Werneck, coordenadora da ONG Criola e integrante do Conselho Nacional de Saúde, o conceito de saúde da população negra baseia-se em três pilares que, se não forem considerados, nada se alterará: Racismo – presente nas relações sociais, nas instituições e nas políticas públicas; Disparidades – diferenças na incidência, prevalência, mortalidade, carga de doenças e outras condições de saúde adversas; Cultura afro-brasileira – processos de diagnóstico, alívio e cura que devem ser conhecidos e valorizados. “O racismo continua de variadas formas e, todo mundo sabe. Estamos ainda perdendo os nossos de causas que poderiam ser evitadas”, afirma Jurema, que participou da conferência sobre saúde da população negra na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Ensp), organizada pela Cooperação Social da Ensp, em parceria com sua vice-direção de ensino e mediado por Carla Moura Lima, doutoranda em ensino em Biociências e Saúde no Instituto Oswaldo Cruz e membro do GT de Educação Popular em Saúde da Abrasco. O evento teve como objetivo estimular a discussão sobre a importância de políticas públicas que contemplem a população afrodescendente, incluindo a sua saúde.

A COR DA POBREZA
Sem a compreensão de que o racismo contamina a todos, e que muitos dos problemas que atingem as comunidades de baixa renda têm como pano de fundo o racismo naturalizado e internalizado na sociedade brasileira, será impossível transformar a máxima de que pobreza tem cor: a preta ou negra.
Para Isabel Cruz, professora titular de Enfermagem da UFF e coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Saúde e Etnia Negra – Nesen/UFF, o persistente abismo entre negros e brancos demonstra estar o problema relacionado com os gestores, os políticos eleitos pela sociedade e os administradores. “Eles têm a noção do coletivo e não tomam as providências para contenção destas iniquidades, destas disparidades. A sociedade se constitui de uma perversidade em que, até as pessoas que teoricamente deveriam estar protegidas de situações adversas, por conta de sua origem, de sua condição racial, são aviltadas, mortas. Porque o olhar do discriminador vê o negro, e não uma pessoa, um ser humano, mas uma coisa que ela despreza. Assim como esta pessoa é vista também como uma ameaça ao seu poder na sociedade. Porque esta luta também é de poder”, afirmou Isabel, também membro titular do Comitê Nacional de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde.
As resistências para a implementação da política são grandes e estão em todas as instâncias governativas, que não enfrentam um aspecto importante, que é o racismo institucional, a ser combatido inclusive na formação do profissional de saúde. “A sociedade civil precisa continuar a enfrentar o racismo, que ainda não acabou, assim como precisa continuar mobilizada”, disse Jurema Werneck. Ela e Isabel Cruz defendem que o fomento à gestão participativa por meio dos conselhos de saúde é uma estratégia importante para a inclusão deste tema em sua pauta de debates. A criação, nos conselhos gestores, da discussão sobre as iniquidades e desigualdades dentro do contexto em que estão atuando, e a implantação de uma comissão da igualdade racial dentro das unidades de saúde, a exemplo da comissão de infecção hospitalar, é, no entendimento de Isabel Cruz, uma possibilidade bastante rica para um diálogo e aprendizado.

fonte: revista Raça

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