história/Política e direitos humanos

CF 2012: Saúde do Negro brasileiro: realidade dura!

Nos últimos vinte anos, é memorável a importância conquistada pelas Organizações do Movimento Social Negro, como protagonistas de mudanças de paradigmas, trazendo à sociedade e governantes os distintos olhares sociais que contribuem ao cumprimento dos direitos humanos e promoção de novos direitos na atenção a saúde da população negra.
Mesmo assim, Em uma pesquisa realizada pelo ministério da Saúde, juntamente com o Banco Mundial e o Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional, foi apontada a enorme diferença entre negros e brancos em relação ao sistema de saúde no Brasil, resultado da desigualdade racial.
As estatísticas revelam que mortes relacionadas a transtornos mentais, doenças infecciosas, além das mortes durante a gravidez ou ao parto, entre a população com faixa etária de 10 a 64 anos, são duas vezes maior entre os negros se comparado aos brancos.
 Em relação às mortes relacionadas a doenças infecciosas, em uma escala de 100 mil pessoas adultas, 17,14 são correspondentes a brancos. Já entre os negros, este índice chega a 30,58.
Além disso, considerando-se as mortes relacionadas à infecção por HIV entre os homens, 15,64 atingem os brancos e 23,13 os negros.
Entre as mulheres, este número é muito mais gritante, sendo 5,45 brancas e 12,29 negras.
As mortes relacionadas a causas externas atingem 16% dos brancos e 25,6% dos negros. Comparando a taxa de homicídio, por exemplo, revela-se um número de 34,4% entre os brancos e 48% entre os negros.
Além de ter menos acesso a planos de saúde do que brancos, a população negra também sofre uma “discriminação institucionalizada” nos serviços públicos de saúde do país, segundo o diretor do Fundo Baobá, Athayde Motta.
“De alguma forma, os serviços do Estado reproduzem o preconceito de parte da sociedade. Pesquisas mostram que nos locais onde a maior parte da população é negra o serviço tende a ser pior”, diz Motta.

A tese defendida por Motta, que dirige o Fundo Baobá, uma ONG que viabiliza projetos que promovam a equidade racial, já foi sentida na pele por Marcelo Antonio de Jesus. Educador em uma ONG em São Paulo, 36 anos, Jesus conta que “durante exames”, já sentiu “que há o receio de alguns médicos de tocar o paciente, pelo fato de ser negro”.

Eliane Barbosa, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo que publicou um trabalho analisando políticas públicas que lidam com desigualdade no país, diz que parte dos médicos dão tratamento diferenciado a indivíduos brancos e negros, mas não apenas ns serviço de saúde público como também no privado.
“Em alguns casos os médicos consideram que as mulheres negras, por exemplo, são mais fortes que as brancas, que elas não precisam dos mesmos cuidados”, diz Eliane, que tem 40 anos e faz parte da parcela dos 15,2% dos negros que possuem plano de saúde no Brasil.
Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, a proporção dos brancos com acesso plano de saúde é o dobro, ou 31,3%.
Quadro clinico da população negra
 A saúde é o estado de perfeito bem estar físico, mental, social e espiritual e não apenas a ausência de doença.
É voz corrente nas famílias negras, assim como na população geral, frases do tipo: Negro é forte, negro não adoece, negro tem saúde de ferro, negro vive mais, negro é resistente a dor, negro não chora, negro não vai ao medico, negro é alegre, negro é festeiro, negro é bom de samba, negro está sempre rindo….
Porém a vida mostra que o negro também sofre por causas de diversas doenças. As enfermidades mais freqüentes na população negra  foram organizadas em quatro grupos ainda em 1996, considerando as razões biológicas, socioculturais, educacionais e do meio no qual a população negra esta inserida.
Quadro 1 – Doenças crônicas degenerativas
Condições geneticamente determinadas, dependentes de elevadas freqüências de gene (s) responsáveis pela doença ou a ele (s) associado (s).
Anemia falciforme
Diabetes mellitos
Hipertensão arterial
Deficiência de glicose 6-fosfato desidrogenase
Neste quadro, são apresentadas as doenças crônicas degenerativas, cuja profilaxia está associada ao comportamento, na qual as informações voltadas ao autocuidado com adoção de hábitos voltados à qualidade de vida são fundamentais para a redução ou evitar seqüelas.
Quadro 2 – Enfermidades adquiridas derivadas de condições socioeconômicas
Condições adquiridas, derivadas de condições socioeconômicas e educacionais desfavoráveis e intensa pressão social.
Alcoolismo
Toxicomania
Desnutrição
Mortalidade infantil elevada
Abortos sépticos
Anemia ferropriva
DST/AIDS
Doença do trabalho
Transtornos mentais
Neste grupo, estão as enfermidades resultantes do meio social e educacional e devem ser intermediadas entre os sistemas de saúde e educação.
Quadro 3 – Grupo de Enfermidades adquiridas com agravante socioeconômico
Doenças cuja evolução é agravada ou o tratamento dificultado pelas condições socioeconômicas e educacionais e pressão social
Hipertensão arterial
Diabetes mellitos
Coronariopatias
Insuficiência renal crônica
Câncer
Miomas
Neste grupo de enfermidade, o agravamento está associado às condições econômicas, ao acesso ao serviço de saúde e estado emocional associado à pressão social e discriminação e racismo.
Quadro 4 – Grupo de condições fisiológicas que podem evoluir para doença
Condições Fisiológicas que sofrem interferências das condições ambientais já citadas contribuindo para a evolução da doença
Crescimento
Gravidez
Parto
Envelhecimento
Neste grupo, foram agrupadas situações fisiológicas que sofrem influência direta das situações socioeconômicas e educacionais, resultando em alta morbidade ou mortalidade.

Grande parte das doenças que afetam a vida das pessoas tem como causa a injustiça social, o capitalismo, a falta de reforma agrária, falta de apoio à agricultura familiar que produz alimentos na linha da agroecologia, as terceirizações no mundo do trabalho – privatização na prática -, a automovelatria, a motolatria, o escasso investimento em políticas públicas, a precarização da educação pública, a falta de ética nos programas televisivos e a devastação da biodiversidade. 

Infelizmente nós afrodescendente, além de lidar com doenças como a falciforme e diabetes tipo 2, que atingem com mais frequência pessoas negras, em questão de saúde, enfrentamos ainda o preconceito.
A coordenadora do comitê técnico de saúde da população negra do Ministério da Saúde, Ana Maria Costa, reconhece que a situação da população negra é muito difícil. “O negro ainda sobrevive em condições muito precárias e isso reflete na situação de saúde dessa população”

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