história

CF 2012 O NEGRO e a saúde pública: LEGADO científico e tecnologico de povos africanos e da diáspora à MEDICINA!


O título de “Pai da Medicina” atribuído ao grego Hipócrates corresponde a mais um equívoco cometido pelo domínio europeu na descrição dos processos históricos dos outros povos. A condição de Pai da Medicina seria mais apropriada ao cientista e clínico egípcio Imhontep, que quase três mil anos antes de Cristo praticava quase todas as técnicas básicas da medicina. O Egito possuía uma ciência médica e farmacológica sistematizada e muito desenvolvida, cujas recentes descobertas mostram que os cientistas egípcios tiveram a capacidade de promover cirurgias complexas como as cerebrais, de catarata ou o engessamento de membros com ossos quebrados, conhecer substâncias cicatrizantes e anestésicos.
O avanço da medicina foi impulsionado, principalmente, pelo desenvolvimento da técnica de mumificação que consistia em um conjunto de procedimentos químicos e físicos que visavam à preservação dos corpos, já que o sistema religioso no Egito pregava que, para se alcançar a vida eterna, a alma dos mortos precisava de um corpo.

 A mumificação permitiu o acesso ao interior do corpo humano e, com isso, os egípcios passaram a conhecer o sistema circulatório, o funcionamento de cada órgão e a relação entre eles. O pioneirismo dos egípcios na medicina em relação aos outros povos deve-se ao fato de que muitos povos da época tinham a crença de que a abertura dos corpos dos mortos fosse um desrespeito ou achavam que as almas escapariam dos corpos (como pensavam os sumérios e assírios). Essas conquistas da medicina egípcia estão registradas em “ papiros médicos” encontrados em sítios arqueológicos no Egito. Esses documentos descreviam com detalhes procedi- mentos médicos – “O batimento cardíaco deve ser medido no pulso ou na garganta” (texto extraído de papiro datado de 1550 a.C.).
Outra característica da medicina desenvolvida pelos egípcios foi a especialização que possibilitou o desenvolvimento, por exemplo, da odontologia que, naquela época, já usava brocas e praticava os procedimentos de colocação de prótese e drenagem de abscessos.
Os métodos contraceptivos também já eram do conhecimento dos egípcios. O papiro Ebers relata que “para permitir à mulher cessar de conceber por um, dois ou três anos:
partes iguais de acácia, caroba e tâmaras; moer junto com um henu de mel, um emplastro é molhado nele e colocado em sua carne.” Um “henu” equivale a cerca de 450 mililitros. Até a gravidez poderia ser prevista com testes de urina.
Os relatos acima demonstram o potencial de um povo negro africano. E para que não tenhamos dúvidas a respeito da origem desse povo tão desenvolvido vejamos o de- poimento do grego Heródoto que é tido como o “Pai da História”, no capítulo XXII, do II livro da sua obra que fala da origem do Nilo, ele diz que na região por onde este corre é “o calor tão intenso que torna os homens negros”. Esse comentário é importante para a afirmação dos povos negros, enquanto capazes de edificar uma sociedade como a egípcia e desqualificar algumas produções Holliwoodianas que embranqueciam a origem dos africanos antigos a ponto de inserir com bastante naturalidade a figura de Elizabete Taylor e outros artistas brancos como artistas principais interpretando egípcios “legítimos”, enquanto, aos negros era reservado o papel de figurante. O que dava a impressão de serem resultado da migrações de países africanos vizinhos.
 Reforçando a tese do povoamento de uma suposta raça branca que teria fundado o Egito e, portanto, tributária de todas as conquistas científicas e tecnológicas desse país compreende Uganda, testemunhou e registrou uma cesariana feita por médicos do povo Banyoro, demonstrando profundo conhecimento dos conceitos e técnicas de assepsia, anestesia, hemostasia, cauterização, e outros. Essa descrição demonstra o equívoco que é classificar como magia ou curandeirismo o conhecimento acumulado por esses povos afri- canos. O tratamento desrespeitoso das produções cinematográficas aliado à paixão pelo exótico de alguns historiadores europeus prejudicou, em muito, a concepção, pelo público, da existência de uma medicina objetiva, científica e eficaz na África.
O avanço no campo da medicina também foi constatado em outras partes do conti- nente africano. Um exemplo bastante interessante é mencionado por VAN SERTIMA (1983) , segundo ele, R.W.Felkin, cirurgião inglês que visitava em 1879 a região africana que hoje .
Contribuição dos povos africanos para o conhecimento científico e tecnológico universal – Lázaro Cunha

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