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CF 2012 O NEGRO e a saúde pública

Bem vindo querido leitor ou leitora,
nesta quaresma queremos aprofundar com vocês o tema da Cf 2012 a partir da perspectiva do povo afro-brasileiro. Já no ano passado o Cenpah optou para fazer um leitura alternativa e que incluísse o ponto de vista  afro-brasileiro.  Esperamos que os artigos que publicaremos a longo da quaresma sejam um a ajuda para nos conscientizarmos sobre as contribuições e os obstáculos  da população negra e, mais uma vez, que este nosso esforço seja assumidos nas próximas campanhas da fraternidades pela própria CNBB, levando em conta também a perspectivas dos povos indígenas! Axé!




1) CONTRIBUIÇÃO à  Saúde Brasileira dos povos afro-brasileros!

             No Brasil, várias são as formas de aproximação à medicina. Entre as formas de curas, estão os procedimentos de caráter religioso. Nesses casos, são comuns,  as orações, medalhas, patuás, crucifixos, escapulários colocados junto aos doentes, para citar alguns exemplos.
                     Essa religiosidade deve-se em parte à herança portuguesa dos primórdios do Brasil, que trouxe a crença nas curas milagrosas através da intercessão de santos católicos.
               “A colonização portuguesa nos primeiros séculos, ou seja, XVI e XVII deixaram profundas marcas nas práticas médicas populares do Brasil de hoje.A medicina era exercida pelos físicos, cirurgiões e barbeiros, como eram denominados aqueles que sabiam curar e sangrar.”  Os Jesusitas também exerciam a tarefa de médicos, que usavam para induzir os indígenas a receber o batismo antes de curá-los. 
           “As terapias daquele período histórico do Brasil, eram praticamente as mesmas adotadas em Portugal, onde as plantas desempenhavam importante papel na preparação dos remédios.  Dentre essas plantas estavam: manjericão, salsa, arruda, bredo, hortelã, coentro, berinjela, alho, ervilha, lentilha, pepino, melão. (França 1929) “
Devido a distancia e ao clima do pais, os portugueses começaram a sobstituir suas ervas por plantas indígenas,citam-se os exemplos da umburana (Bursera leptophloeos) e da cabreúva (Myroxilon toluifera), que o padre José de Anchieta, achando-as parecidas, no aroma desprendido quando cremadas, com as espécies asiáticas usadas pela igreja, consagrou-as aos cultos, 
              Porém,  a maior influencia no uso medicinal das plantas vem das religiões de origem e influência africana como candomblé e umbanda, tanto nas cerimônias religiosas como nos rituais de cura.
             Com a chegada ao Brasil dos primeiros africanos de origem banto, começaram os contatos destes com os indígenas, que foram passando seus conhecimentos sobre as plantas nativas e os papéis que as mesmas desempenhavam em seus rituais religiosos e de cura. A partir dai os negros passaram a usa-las, também, em suas reuniões religiosas.
            É tal a importância das plantas nesses sistemas de crenças, que sem elas, certamente tais religiões não existiriam.   
            “Ossain é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas. Sua importância é fundamental, pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença, sendo ele o detentor o àse (poder), imprescindível até mesmo aos próprios deuses. O nome das plantas e sua utilização e as palavras (ofò), cuja força desperta seus poderes, são os elementos mais secretos do ritual no culto dos deuses iorubás. (Verger 1981:122)”
           As plantas são utilizadas nos banhos de defesa, de limpeza, de purificação; nas preparações de comidas, bebidas e remédios; nas cremações em incensórios, etc…
           Hoje  reparamos que muitas plantas nativas brasileiras fazem parte dos rituais afro-brasileiros, o que levou a um certo distanciamento com relação à mãe África.              O uso ritual de plantas no combate às doenças e no restabelecimento da saúde constitui prática comum nos cultos afro-brasileiros. 
           Quase todas as plantas usadas nos rituais religiosos e de cura são as mesmas conhecidas da medicina popular ou tradicional, de todas as camadas sociais, pois, de certa forma, fazem parte da formação cultural do brasileiro, transmitida pelos antepassados e que hoje permanecem na memória daqueles que, em sua medicina caseira, as utilizam.


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