racismo

Nota de Repúdio contra CARTAZ CF 2012

Cf 2012: Não vale a pena VER de novo!!!
Chegou mais um “tempo de conversão”, um chamado a mudar para que todos nós possamos viver segundo o projeto de Deus. No ano 2012 a CNBB promove a campanha: Fraternidade e Saúde Pública, tema que quer discutir  a realidade  da saúde publica brasileira, com seus avanços, descasos, abusos e suas possíveis soluções. 
Como em todas as Campanhas, também a de 2012 está marcada  por um canto e por uma imagem que quer ajudar, até os fieis mais atarefado ou distraídos,  a gravar o lema e a seriedade da proposta. O Canto e a imagem acompanham todos os domingos da quaresma  as celebrações dos católicos. Os cartazes entram em lugares públicos, templos, campanhas (até eleitorais), seminários, camisetas, etc… porque mais do que as palavras, som e imagem se gravam na mente e no coração da gente.
Por isso, ao ver o cartaz da Cf 2012  a primeira coisa que pensamos foi: “deve ter um erro ! Não pode ser! Não acredito! Já vimos essa imagem!” Etc…
No imaginário coletivo do Brasil inteiro, desde que os nossos antepassados foram trazidos ao Brasil feitos escravos e tratados como animais, até o dia de hoje, nas novelas que dominam o horário nobre e nos programas que rebaixam e colocam a população negra num nível subalterno, como se fossemos ainda “escravos”, esta imagem vem definindo o “lugar destinado ao negro” pela sociedade brasileira.
O que esta imagem vai dizer para  a maioria dos brasileiros, 51% que se declara negros-as???? Vai reforçar a ideia que medico que preste tem que ser de descendência europeia e que lugar de negro é de coitadinho, doente, necessitado, pobre, dependente.
Nos perguntamos ainda, como é possível que um erro tão insensível e,  ao nosso ver, ignorante na escolha de uma imagem que fere profundamente a história do povo negro, a sua identidade e a suas lutas possa ter acontecido numa instituição, a CNBB, que oficialmente luta contra a discriminação e até inclui na sua ação pastoral de Justiça e Paz a Pastoral Afro????
Nós do CENPAH queremos divulgar essa reflexão para todas as pessoas, os movimentos, as organizações que se empenham na construção de um país mais justo e respeitoso de suas populações. Queremos convidar os agentes de Pastoral Afro, os APNs, os movimentos negros, as associações que trabalham na luta contra o racismo e  para a integração e o reconhecimento pleno da cidadania do povo negro para que divulguem, se expressem a fim de que a imagem da CF 2012 seja mudada ou pelo menos questionada!
E  para concluir, queremos mostrar como teríamos gostado de ver o cartaz desta campanha:

14 pensamentos sobre “Nota de Repúdio contra CARTAZ CF 2012

  1. Eu concordo com você George Dias. As vezes vemos coisas onde não exite! A verdade é que muitas vezes esquecemos que somos irmãos, independente de etnia..e se vivemos só pensando que tudo é questão de discriminação, consequentemente estamos julgando a ação do outro, e quem somos nós para julgar algo? Que possamos rever nossos conceitos,e acima de qualquer coisa lembrar que somos irmãos em Cristo.

  2. Concordo com vocês.O cartaz não traduz nenhum sentimento ou atitude discriminatória. A realidade brasileira é essa:a grande maioria dos médicos é branca enquanto que a grande maioria que sofre nas filas das unidades médicas é de afro-descentes.Devemos nos preocupar com a qualidade da saúde de nosso povo, independente da raça e não perder tempo com ilustrações.A única contradição que vejo aqui é quanto ao atendimento pois ninguém sai tão feliz e satisfeito com o atendimento médico como a imagem apresenta.

  3. O questionamento é valioso, mas a proposta de solução ou alternativa é parcial! A proposta de outros cartazes não faz justiça da beleza de todos os povos no Brasil. Cadé a sensibilidade com a Saúde dos povos indigenas.. a mais excluida e que é no abandono total? Muitos Medicos robando salarios vivem nas cidades ou nas capitais ? O Cartaz seja mais abrangente.. Substituir ou inverter "as cores" não resolve nada!

  4. …desculpem meus queridos mas vocês já estão corropidos pelo sistema.A questão não é nescessariamente a imagém em sí causar entre as pessoas oque é narrado no início da postagem e sim a imagém,junta de outras,já que TODAS criadas para o apoio a população,aparece com um branco ajudando um negro,um branco patrão de um negro,um branco evangelizando um negro e etc….Não se deixem levar pessoal.Vejam oque a mídia faz dia pós dia…olhe com olhar de maldade e vera que somos a todo momento atacados pela elite que,por sua vez,é branca (JA QUE COM SEU ARDUO TRABALHOOFUSCAM O CRESCIMENTO DO NEGRO NA SOCIEDADE).

  5. Olá amigos. Sou Marcelo Godoy, criador do cartaz da CF 2012. Em nenhum momento me veio à cabeça sovbre discriminação, ao contrário, o senhor negro da foto e o rapaz médico são meus amigos e nem imaginamos sobre esse caso. Até agora foi a primeira manifestação sobre esse caso. Irmãos n]ao há nada de discriminação nessa imagem, então meditem o tema e saiam desse preconceito que nasce primeiro dentro de vocês.

    • Querido Marcelo, nós não falamos sobre a intenção do autor, mas sobre o impacto que essa imagem tem nas pessoas politica e culturalmente engajada na luta contra o racismo neste país. Nos perguntamos se o senhor está ciente do mito da democracia racial, discutido em vários níveis academicos, e do que significa ter a pele negra no Brasil. O maior preconceito e pensar de não ter preconceitos. O que nós esperavamos da Igreja Católica, era mais atenção e sensibilidade no uso de uma imagem que SIM fere a nossa identidade negra, a nossa história, e a nossa autoestima. Aceitamos o fato que as pessoas discordem desta visão, mas isso não dá a ninguém a ousadia de definir os outros de preconceituosos!!! Assim que lamentamos suas palavras finais. Que Deus abenções e ilumine, o CENPAH!

  6. Minha gente, o cartaz traduz o que nos é tão intrínseco que nem percebemos. Dizemos que não somos preconceituosos mas quando precisamos pensar em um médico e um paciente, pensamos em um branco e um negro respectivamente. Essa ideia nos foi imposta e engolida, aprendemos nas escola que a Princesa Isabel libertou os escravos como se ela fosse muito boa e fez isso por piedade. Aprendemos na escola que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil… E os índios aqui eram nada. Vamos parar de colocar panos quentes! "Brasil, mostra a sua cara!"

  7. Engraçado…Quando vi o cartaz a primeira coisa que falei ao meu marido foi"porque não inverteram os papeis?" Na verdade o que a imagem retrata são os anos de dominação da população branca sobre a negra, inaceitável isso! Em pleno século de luta e resistência ainda colocam uma imagem dessa, negro abaixo do branco com cara de coitado e na condição de precisado…Affffffffffff. Uma pena que pessoas como vocês ainda acreditam que somos "irmãos" se fechando para os prblemas mais gritantes da sociedade que são justamente o preconceito e a discriminação RACIAL, a minoria precisa SIM ser vista com potencialidade.Vamos acordar meu povo!!!

  8. meu ponto de vista sobre essa observação de vocês.
    Nunca havia visto por esse lado o cartaz, quanto a cor do médico ou do paciente não é o que me chama a atenção no cartaz .Pra mim vocês ao levantar essa “polêmica aos olhos de vocês” acabam excluindo-se e ficam fomentando um racismo que eu não vejo acontecer no brasil., pelo menos não é a realidade do lugar em que convivo e de outros estados que já morei. E já deparei com situações de que pessoas da raça negra são racistas com pessoas da mesma cor.
    Não concordo e penso que vocês querem colocar as pessoas contra a igreja que só tem por objetivo, fazer o bem e criar nas pessoas uma consciência critica em relação aos problemas sociais que nos afetam.
    Vocês podiam sugerir a CNBB se pra vocês o racismo é um problema social, porque não trabalhar esse tema na CF de 2014.

    • Obrigado pela sua visita e pelo seu ponto de vista. Nós somos tabém Igreja Católica e nosso intento não é colocar as pessoas contra nossa Instutuição, ao contrario queremos que nossa instituição perceba que dentro da Igreja existem pessoas que tem um passado e um presente onde todas as estatisticas indicam, e isso não só uma mera opinião, que nós descendentes africanos somos tratados de forma diferente e isso por causa dos nossos fenotipos. Já comuicamos nosso mal estar à CNBB, de fato nós somos parte da Pastoral Afro da Igreja Católica. De qualquer forma agredecemos seu ponto de vista e lhe desejamos o melhor!!! Um abraço, o CENPAH.

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