história/Política e direitos humanos

Tornar-se NEGRO VII & VIII

Resumo do Capítulo VII –
Metodologia 
O universo da pesquisa foi o Rio de Janeiro tomado no seu eixo sócio-econômico Rio-São Paulo considerado como unidade bastante de uma totalidade nacional urbana, metropolitana e pólo de desenvolvimento nacional. Territórios onde a presença do negro é senão, majoritária, marcante, e onde se intensificam os dilemas e desafios da ascensão social. Sua investigação se valeu do método de estudos de casos e da técnica de histórias de vida obtidas mediante entrevistas feitas por pessoas indicadas por outras conhecedoras da pesquisa. Na perspectiva analítica-metodológica adotada os depoimentos se tornam significativos de um universo maior. De modo que podemos considerá-lo nos casos apresentado e nas suas conclusões, que eles são representativos do fenômeno da ascensão social do negro numa sociedade urbana, capitalista e racista. Neste sentido foi que a história de Luísa foi tomada como paradigmática de outras histórias e feita sua análise.
O campo teórico-conceitual está baseado na articulação da Teoria da Ideologia com a Psicanálise e seu eixo teórico principal foi o Complexo de Édipo. Desse modo, Neusa Santos partiu da hipótese de que o negro tem uma dificuldade de conquistar sua identidade a partir das necessidades básicas e estruturantes da formação equilibrada do Ego para que o permita à instrumentalização em vista da conquista da ascensão social.
Conclusões – Cap. VIII
Neusa Santos conclui dizendo que para ascender socialmente o negro não precisa de uma identidade negra porque o negro no Brasil não possui uma identidade negra positiva que possa afirmar ou negar. “Ser negro”, ela diz, é formar uma consciência do processo ideológico que através do discurso mítico acerca de si cria uma estrutura de desconhecimento/reconhecimento que o aprisiona numa imagem alienada. E completa: “ser negro é tomar posse dessa consciência e criar uma nova consciência que reassegure o respeito às diferenças e que rearfime uma dignidade alheia a qualquer tipo de exploração” e prossegue, dizendo que, ser negro não é uma condição dada, a priori, ou seja, não se nasce negro. “Ser negro é tornar-se negro”. E ainda, a outra alternativa (impossível) é tornar-se branco. complementa.
Neusa Santos entende que construir uma identidade negra é uma tarefa eminentemente política e que para isso é imprescindível contestar e romper com o Ideal de Ego (modelo) “que lhe ensinaram a ser uma caricatura do branco”. Sendo a outra possibilidade (tornar-se branco) inalcançável o negro cria uma ferida narcísica, enfraquecendo ou anulando a sua auto estima.
Essa ferida cria uma psicopatologia do negro e seu núcleo está na tensão permanente entre o Ego e o Ideal de Ego. Esta tensão em termos clínicos tem seus sintomas no sentimento de culpa, de inferioridade, fobias e depressão, “afetos e atitudes que definem a identidade do negro brasileiro em ascensão social como uma estrutura de desconhecimento/reconhecimento”.
Assim se forma “esta identidade que em tudo contraria os interesses históricos e psicológicos do negro [e] tem sido uma tradição na história do negro brasileiro em ascensão social”. Por fim, Neusa Santos expressa seu desejo de que a construção de uma nova identidade seja apontada pelo seu estudo, “gerada a partir da voz de negros que, mais ou menos contraditória ou fragilmente, batem-se por construir uma identidade que lhes dê feições próprias, fundada, portanto, em seus interesses, transformadora da História – individual, e coletiva, social e psicológica”.
Por José Ricardo D´Almeida! 

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