Candomblé/Pastoral Afro

>AS RELIGIÕES SÃO IMPORTANTES PARA OS AFRODESCENDENTES?

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I . INTRODUÇÃO
Este tema é de vital importância para o aprofundamento da atual fase de busca e construção de identidade empreendidas pela comunidade afrodescendente a nível nacional. O movimento afrodescendente está descobrindo algo fantástico: o povo afrodescendente é marcadamente religioso! A religião está na flor da pele deste povo!!! Percebemos, hoje, nos quatro cantos do Brasil, uma boa articulação da luta pelos direitos dos afrodescendentes com as respectivas Instituições Religiosas as quais pertencem.
Fazendo-se uma retrospectiva histórica da luta dos negros dos EUA vamos descobrir que de cada 10 líderes negros norte-americanos, 9 foram “gestados” nos espaços religiosos. Lá, a tática usada pela comunidade afrodescendente, fez as estruturas das Igrejas se colocarem a serviço da causa do povo. Cresceu muito aqui no Brasil a articulação dos afrodescendentes dentro dos espaços religiosos. Com a constatação de que esta foi uma estratégia da comunidade negra norte americana, a tendência é a de crescer investindo neste caminho. Não temos dúvidas: consciente ou inconscientemente este é o caminho que trará, mais rapidamente, as vitórias que almejamos.
II . OS AFRODESCENDENTES NAS RELIGIÕES EVANGÉLICAS
Ao se tratar deste tema, uma grande pergunta fica no ar: se nos EUA a Igreja Batista foi o principal instrumento de libertação dos afrodescendentes, porque, aqui no Brasil, a Igreja Batista não realizou o mesmo papel? Seria fundamental se fazer esta pergunta a todos os nossos amigos batistas afrodescendentes. Uma tentativa de resposta é esta: o poder central batista (que é branco) dificultou ao longo destes anos a vinda de Pastores Batistas negros conscientes. Só enviaram como Missionários para o Brasil pastores e leigos brancos. Os poucos negros que aqui vieram ser Missionários Batistas não tinham uma consciência de negritude elaborada.
Por volta dos anos 80 surgem pessoas batistas negras que tentam fazer evangelização nesta linha. Organiza-se no Paraná, inclusive, um informativo dos batistas negros. Nas assembléias dos APNs participavam esporadicamente batistas negros.
Recentemente, a Igreja Evangélica do Reino de Deus no seu jornal (que tem uma grande tiragem), na edição 304/98 saiu com uma página inteira discutindo o racismo no Brasil e colocando no debate dois expoentes da reflexão racial brasileira: Aroldo Macedo, Diretor da Revista Raça e Ivanir dos Santos, secretário executivo do CEAP-Rio.
A Igreja Assembléia de Deus tem tido pessoas preocupadas com este aspecto da evangelização. O ritmo afro adaptado a letras religiosas tem sido cada vez mais comum nesta Igreja e em outras pentecostais que atuam em todo o Brasil. O ritmo de samba, além de ter entrada em várias Igrejas ocupa boa parte das programações evangélicas das rádios no Brasil.
O estilo musical GOSPEL (dos EUA), inclusive com seu visual estético afro tem ocupado bons espaços nos corais e tem sido cada vez mais comum no Brasil.
Cresce no Rio de Janeiro a articulação através dos encontros de CAPOEIRISTAS EVANGÉLICOS. Conseguem reunir pastores e leigos afrodescendentes de várias religiões evangélicas e unem com qualidade a reflexão evangélica com elementos simbólicos da cultura afro-brasileira.
A partir do ano de 96 surgiu no Brasil uma articulação de evangélicos afrodescendentes provenientes de mais de 5 denominações religiosas. Seus objetivos são refletir o evangelho a partir dos valores culturais; avaliar a prática das Igreja Evangélicas no tocante ao racismo inconsciente ou conscientemente praticado no interior das Igrejas; avaliar possíveis passos de avanço enquanto negros e evangélicos a serem dados, etc. Tiveram algumas dificuldades para manter a continuidade.
A Igreja Evangélica que tem um trabalho de negritude razoável é a Metodista. Conseguiram elevar à categoria de MINISTÉRIO o trabalho de luta contra o racismo, surgindo assim oficialmente o MINISTÉRIO DE COMBATE AO RACISMO DA IGREJA METODISTA. Realizam cursos, encontros, seminários, etc. Já realizaram alguns encontros de pastores evangélicos negros metodistas. No último Concílio a Igreja aprovou que todas as instituições de ensino do 1o, 2o e 3o graus pertencentes à instituição deverão dar prioridade, na concessão de bolsas, à estudantes afrodescendentes e mulheres. Falta apenas os Metodistas afrodescendentes lutarem para fazerem valer esta importante conquista.
Na década de 80 um grupo de 16 pessoas afrodescendentes Metodistas, Batistas e Católicas organizaram um grupo de trabalho, com apoio do ISER ( Instituto Superior do Estudo das Religiões) com o objetivo de se produzir TEOLOGIA NEGRA DE LIBERTAÇÃO a partir dos líderes populares. O grupo encontrava-se dois dias integrais por mês com o intuito de estudar e debater as questões comuns à comunidade afrodescendente a partir do prisma da teologia da libertação. As reuniões aconteceram, em sua maior parte, nas dependências da Faculdade Metodista Bennett, na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro afrodescendente Doutor em Teologia (Geraldo da Rocha) no Brasil foi participante ativo deste grupo.
Em 28 de junho de 1997 o Ministério Regional de Combate ao Racismo da Igreja Metodista realizou um importante encontro no Rio de Janeiro, cujo título foi: “COMO A IGREJA COMBATE O RACISMO”?
III . OS AFRODESCENDENTES NO CANDOMBLÉ,
 UMBANDA E RELIGIÕES ESPÍRITAS
Este é uma assunto pouco discutido pois grande parte do conteúdo religioso, simbólico e ritualístico destas religiões são naturalmente de origem afro ou marcadamente de influência afro. Pressupõe-se que tudo o que se fala, age, discute, celebra, etc, já seja em função da identidade afro e pronto.
Cresceu dentro destes espaços grupo de pessoas que começaram a trabalhar a dimensão mais politizada do “pertencer” às religiões afro. Em outras palavras: tentou-se e tenta-se fazer uma reflexão sobre a prática religiosa das religiões afros hoje e as conseqüências políticas para os afrodescendentes. Perguntou-se muito qual está sendo a postura política dos negros das religiões afros frente às discriminações? O voto dos negros das religiões afros: por que são, em grande maioria, canalizados para os partidos de direita? Perguntou-se muito porque o número de Sacerdotes e Sacerdotisas não afrodescendentes do candomblé e da umbanda no Estado do Rio de Janeiro ultrapassa a 60%? Os afrodescendentes estariam perdendo o controle sobre as religiões afros? Onde está o poder de conscientização e articulação afro das religiões afro?
Estas e outras perguntas eram comuns nas décadas de 80 e 90 nas várias reuniões acontecidas no movimento negro no Rio de Janeiro. Nos últimos 5 anos temos assistido importantes mudanças. Já se consegue encontrar líderes de entidades do movimento negro que são Sacerdotes de Candomblé e que começam a articular a visão política e social da realidade do negro com suas religiões.
  
CAPÍTULO IV: COMO A IGREJA CATÓLICA TRATOU
OS NEGROS NESTES 500 ANOS?
Nestes 500 anos de evangelização, a relação negritude – Igreja Católica passou por várias etapas. No que se refere à postura eclesial, tivemos momentos de profunda opressão, quando a Igreja assumiu um papel totalmente identificado com o do colonizador e tivemos também, momentos em que a Igreja voltou-se para a realidade social e identificou-se solidarizando-se com o oprimido, assumindo, conseqüentemente, que este oprimido tinha o rosto marcadamente negro e indígena.
Portanto, ao longo de todos estes séculos, os negros católicos foram influenciados e formados por quatro projetos de evangelização. São eles:
A) PRIMEIRO PROJETO
No período colonial, entre os anos de 1500 e 1842, a proposta era a de promover a fé cristã, baseada na leitura do Evangelho a partir da ótica européia – ocidental. Sendo assim, tudo o que tinha origem na cultura negra era menosprezado pela cultura branca dominante. O lugar ocupado pelo negro era o de escravo e a escravidão roubava do negro o direito de constituir família, de vivenciar suas tradições culturais, de resgatar suas raízes.
Este projeto, do ponto de vista do colonizador, era anunciado como sendo a Boa Nova, mas a partir da ótica do povo escravo e oprimido, significava a extinção de seus valores culturais e religiosos.
Infelizmente, a Igreja estabeleceu um forte vínculo com o Império no sentido de ratificar esta proposta evangelizadora que jamais se preocupou com uma ação libertadora e salvífica, mas sim com os privilégios obtidos a partir desta parceria. Em outras palavras: a Igreja apoiava o Império nas lutas armadas contra os escravos negros. Calou-se diante da destruição do Quilombos dos Palmares e do assassinato de Zumbi, além de estar conivente com o assassinato de Manoel Congo, ambos líderes do povo negro que lutaram contra a escravidão e libertação de seu povo. O Império concedia à Igreja poder e status para que esta também pudesse influenciar politicamente nos rumos da país.
B) SEGUNDO PROJETO
No segundo projeto, denominado romano – europeu, a partir de 1842 até 1968, a luta de ambas as partes era pela europeização do país e isto significava passar por cima das culturas consideradas inferiores, a fim de que prevalecesse o processo de ocidentalização. Para isso, abre-se as portas para os imigrantes europeus, ao mesmo tempo em que busca-se a eliminação dos quilombos. Os negros, neste caso, só teriam vez se entrassem no esquema da europeização, favorecendo assim, a instalação da ideologia do embranquecimento. Os negros que procuravam manter contato com sua cultura, principalmente através da vivência da fé, nas religiões afro, eram impiedosamente perseguidos.
Os missionários catequizavam negros e índios e, aqueles que se rebelavam eram massacrados pelos colonizadores sem a intervenção da Igreja. No máximo, iam ministrar os sacramentos para os condenados.
Ainda fazendo referência à ideologia do embranquecimento, lembramos o decreto 7967, artigo 2 de 18 de setembro de 1945, assinado pelo então Presidente Getúlio Vargas que diz: “Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, a necessidade de preservar e desenvolver na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional”.
Em 1960, com a Lei Afonso Arinos que punia todas as atitudes de discriminações raciais, as Congregações Religiosas do Brasil tiraram de seus estatutos e normas internas a proibição de negros (as), mestiços (as) de entrarem para a vida religiosa.
C) TERCEIRO PROJETO
A partir de 1968, com a Conferência de Medellin, em Puebla, a proposta é trabalhar a evangelização baseada na situação concreta e histórica do povo oprimido, configurando assim, o terceiro projeto de evangelização.
Concluíram que este povo oprimido reúne principalmente negros e índios, e que as articulações se faziam necessárias. Foi então que começaram a surgir os grupos de base formados por negros católicos que em 1983, fundaram o grupo de Agentes de Pastorais Negros.
Em 1988, a CNBB assume como tema da Campanha da Fraternidade “A Fraternidade e o Negro”, como resultado da mobilização dos grupos pastorais de base. Esta iniciativa projetou o trabalho dos APNs no sentido de conquistar um espaço para refletirmos a condição sócio-econômica de homens e mulheres negros e de avaliarmos a participação da Igreja enquanto agente de promoção de trabalhos que respeitem a diversidade e valorizem a pluralidade cultural e étnica.
D) QUARTO PROJETO
Finalmente, a proposta do quarto projeto de evangelização é o que se tem de mais recente no tocante à postura da Igreja em relação às questões raciais.
O retorno ao conservadorismo, a valorização da oração enquanto escolha mais eficaz na solução dos problemas começam a ganhar mais impulso. A tendência dos grupos de base tem sido a de realizar trabalhos mais internos, na tentativa de não perder os espaços já conquistados anteriormente. O projeto latino-americano perde um pouco sua força na medida que os agentes negros que tiveram um bom “pique” no começo perderam-se no caminho. Os negros católicos comprometidos são agora, principalmente, religiosos e religiosas, que tentam trabalhar a partir do diálogo a fim de cessar a discriminação racial, através dos veículos de comunicação, de iniciativas junto ao poder público, atuando também junto ao processo educacional, no sentido de promover a cultura negra e de conscientizar a partir da compreensão da unidade respeitando a diversidade.
V . COMO OS NEGROS CATÓLICOS ORGANIZARAM-SE
NESTES 500 ANOS?
A organização religiosa só é possível ser plena na liberdade. A primeira grande experiência de liberdade religiosa foi experimentada nos quilombos reunidos dos Palmares. A comunidade quilombola, por ser radicalmente livre do domínio do pensar político e religioso dos colonizadores, tinha total liberdade e motivo para rechaçar a influência da Igreja Católica e todos os seus símbolos religiosos. No entanto, não foi isto que aconteceu. O povo quilombola foi capaz de distinguir os valores religiosos do direito e da justiça que trazia a Igreja Católica da prática dos que se diziam “donos” da fé católica.
Os Quilombolas naquele novo espaço de liberdade, poderiam fechar-se somente em sua compreensão religiosa tradicional africana. Entretanto, eles sabiam diferenciar Jesus Cristo e seu Evangelho da prática dos cristãos colonizadores em terras brasileiras. OS QUILOMBOLAS REPROVAVAM a prática religiosa dos cristãos, pois não valorizavam a justiça e o respeito ao diferente, mas, por outro lado, souberam perceber o potencial libertador trazido por Jesus e seu Evangelho e o abraçaram. Na guerra contra os palmarinos, em 1645, chefiado por BLAER – REIJEMBACH, o escrivão relata que encontrou no centro do Mocambo GRANDE PALMARES uma casa religiosa, com imagens de Santos Católicos, entre elas a imagem do MENINO JESUS, e ricamente adornadas com objetos religiosos africanos. A inculturação, tão discutida hoje, já era algo normal, praticada no espaço de liberdade chamado QUILOMBO. Os Sacerdotes eram escolhidos entre os mais capazes, que possuíam espírito de liderança, sabedoria e profundo conhecimento da natureza. A intimidade com o DEUS PAI TODO-PODEROSO, chamado de OLORUM – OLO + ORUM (senhor do orum, ou seja: senhor de todos os espaços terrestres e celestes), era a principal qualidade nos Sacerdotes. Já entendiam como normal e natural o Sacerdócio casado, bem como o Sacerdócio feminino, dimensões ainda hoje, em pleno século XX, negada pela principal religião ocidental.
Os quilombolas desenvolveram outros valores que deverão estar presentes hoje na atuação de todos os negros (as) conscientes de qualquer religião. São eles:
a) A FÉ EM UM CRIADOR
A fé em um Criador da vida é uma energia presente em todos os povos do mundo. A fé desenvolvida pelos afro-brasileiros permitia o surgimento de um novo código de postura ética a partir da tradição milenar africana. A observação coletiva desta fé-tradição canalizando-a para o bem comum do grupo humano é o que chamamos de MÍSTICA.
A mística dos povos afro-brasileiros dos quilombos apontava para a busca da unidade na diversidade. Para eles, qualquer índio, qualquer branco que provasse abraçar aquele projeto, mesmo sendo de outras culturas, eram acolhidos e integrados no mesmo, pois assim compreendiam a tarefa do homem religioso.
b)   SOCIEDADE IGUALITÁRIA, PLURIÉTNICA
Os Quilombos eram espaços de liberdade onde NEGROS, ÍNDIOS E BRANCOS POBRES, juntos, gestavam o AMANHÃ DO BRASIL. Todos os que abraçavam aquele projeto pluriétnico habilitavam-se a ser construtores da nova sociedade. Era uma maneira concreta e direta de protestar contra a sociedade colonial vigente: UNIÉTICA, em que índios e negros só tinham espaço na condição humilhante de escravos. A produção e ampliação das desigualdades sociais era o principal produto social daquela sociedade colonial. A submissão de todos os que não fossem ocidentais era o objetivo sempre presente, e com esta visão tentaram também MONOPOLIZAR DEUS, tornando-o MARCA REGISTRADA legitimadora de suas ações avassaladoras. Deus, enquanto gera uma proposta IGUALITÁRIA e PLURIÉTNICA, privilegia neste momento, sem dúvida, os espaços que valorizavam a Igualdade Pluriétnica, os QUILOMBOS. No entanto, o poder de persuasão ocidental levou a história brasileira a navegar na CONTRAMÃO do direito e da justiça de Deus por longos séculos, abraçando a proposta colonial UNIÉTICA e a desigualdade, dando ênfase a TER, POSSUIR, em detrimento de SER, PARTILHAR.
C)  TROCA INTERCULTURAL
No Quilombo dos Palmares encontravam-se presentes e convivendo harmoniosamente valores culturais negros, indígenas e ocidentais. Todos sabiam dar e receber, pois reconheciam-se filhos do mesmo tronco que é Deus. As culturas, quando bem entendidas, sempre foram e serão instrumentos de congraçamento. Só é possível surgir conflitos culturais quando um grupo sente-se superior a outro, e assim, a todo custo, insiste em subjugar, limitar, proibir o que imagina ser ameaça. Um dos maiores ataques à humanidade e a Deus partiu justamente da cultura ocidental dominante, que, usando todos os meios violentos possíveis, tentou reduzir a cinzas as culturas indígenas e negras, negando a sua participação de forma igualitária na construção do Brasil ideal que queremos. Justamente esta prática a comunidade negra não aceita adotar. É um dos povos do mundo mais abertos a outras culturas e, ao mesmo tempo, NÃO PERDE TOTALMENTE A SUA PRÓPRIA CULTURA.
D)  SIMBIOSE LINGÜÍSTICA
No espaço de liberdade chamado de QUILOMBO todas as culturas presentes podiam contribuir para a construção da língua ideal, sem discriminação planejada e com grande senso de BEM COMUM. Os vários quilombos são responsáveis pela introdução nos usos e costumes lingüísticos do Brasil de mais de duas mil palavras. Exemplo: MIMO – palavra do corpo lingüístico BANTU que quer dizer CARINHO, DELICADEZA.
Os Quilombolas colocavam livremente em seus filhos e nas localidades nomes Africanos, Indígenas e Ocidentais. Exemplo: OSENGA, ANDALAQUITUCHE, ACOTILENE (Africanos); COLOMIM (Indígena); JOÃO, LIMOEIRO, SÃO JOSÉ DA LAJE, etc. (Ocidentais)
E)  VALORIZAÇÃO DA VIDA
Toda estrutura organizativa, social, política e religiosa do Quilombo dos Palmares tinha como uma das principais finalidades a VALORIZAÇÃO DA VIDA. Ela consiste fundamentalmente em ajudar os quilombolas a crescer com auto-estima positiva, superando toda humilhação passada no contato com o setor dominante colonizador. Gostar de si, de seu povo, seus traços físicos, seus cabelos, de seus costumes, de sua identidade cultural era dizer GOSTO DA VIDA! GOSTO DO AUTOR DA VIDA! Portanto, professar amor à vida era uma forma de vivenciar e professar o amor ao DEUS DA VIDA. Na compreensão antropológica africana, a felicidade de viver deveria ser sempre celebrada. Daí compreendemos que o viver africano é uma eterna liturgia celebrada com o corpo, pois era e é a forma mais autêntica, transparente e profunda de unir VIDA EM DEUS! Tudo é MÍSTICA DE RESISTÊNCIA!
F)  INTEGRAÇÃO ECOLÓGICA
Para a Mística africana a vida não é uma atributo só da pessoa humana. As plantas, os animais, a terra, a pedra, a água, o ar, todos têm axé, tem vida. Conseqüentemente havia grande comunhão com todos os elementos da natureza, onde a relação era de parceria e co-responsabilidade. Se a proposta ideológica dos Quilombos tivesse contagiado o Brasil, jamais teríamos os vários acidentes ecológicos verificados ao longo dos anos. O código ecológico vivido até hoje pelas pessoas que têm consciência religiosa e cultural africana é um dos mais profundos do mundo e com melhor possibilidade de resultados práticos para o bem da sociedade.
Por volta de 1750 acontece o fortalecimento das Irmandades do Rosário dos Homens Pretos e outras associações congêneres. Seu grande objetivo era, a partir da fé e estrutura de poder católicos, influenciar nas lutas pela implantação das leis de libertação. Além disto, as irmandades criaram táticas simples e eficientes que as transformaram num dos principais instrumentos de libertação do povo negro. Eram associações que aglutinavam homens livres. Trabalhavam e uma percentagem do ganho de cada um era colocada num caixa comum todo mês. Se aquela agremiação (por suposição) tivesse 100 membros, eram 100 pessoas trabalhando e contribuindo em cada mês. Com aquele dinheiro comprava-se a liberdade de 30 negros (as). No mês seguinte já eram 130 associados trabalhando e contribuindo com o caixa comum. No final deste mês, em vez de se comprar a liberdade de 30, comprava-se a liberdade de 50, etc, etc, etc.
Após a assinatura da lei áurea, 1888, até 1970, não conseguimos muitas informações sobre os trabalhos desenvolvidos pelos negros católicos dentro das estruturas eclesiais. A Igreja sofria um rígido processo de romanização e tudo o que não fosse da cultura romana (ocidental – européia), era tido como impuro, demoníaco, etc. Neste prisma o negro sofria fortes incompreensões.
Por volta de 1937 a Irmandade do Rosário de São Paulo é ameaçada de ser tirada do centro de São Paulo, no Largo do Paissandú, e colocada em outro lugar. No local deveria ser feito pela prefeitura uma grande urbanização e a colocação do busto de Duque de Caxias. A resistência e a força religiosa da Irmandade foi determinante para a prefeitura mudar de planos. Até hoje a irmandade está firme e continuando a ser ponto de referência histórica para a comunidade afrodescendente paulista.
Em 1978 acontece a retomada dos negros católicos. Era a época em que a Igreja do Brasil estava refletindo o documento de trabalho preparatório para o encontro dos bispos, em Puebla, no México. Alguns padres, leigos e religiosos negros percebem que o documento está muito bom quando reflete a situação dos empobrecidos e faz uma “opção preferencial pelos pobres”. No entanto, em nenhum momento o documento tem coragem suficiente para dizer que este pobre tem rosto negro e indígena. A constatação é levada à CNBB e esta cria um grupo tarefa que tinha a missão de escrever um anexo, dando subsídios aos bispos que iriam participar de Puebla. Terminada esta missão, o grupo-tarefa resolveu não esperar pelos bispos e começou a se articular enquanto negros e brancos comprometidos com a causa do Reino a partir da chave de leitura afro-brasileira.
O grupo-tarefa inicial começou a chamar outras pessoas e, periodicamente, fazia encontros de aprofundamento do assunto, em Brasília e São Paulo. O movimento cresceu em número e consciência política. Boa parte dos participantes vinha das CEBs, pastorais sociais e movimentos populares. Alguns estavam totalmente comprometidos com partidos políticos.
Apesar de ser aberto às demais religiões, o trabalho era marcadamente católico. A grande maioria, talvez 99%, era participante das várias pastorais e CEBs da Igreja.
Ao se começar a discutir uma campanha nacional junto aos Bispos do Brasil no sentido de convencê-los a aprovar o tema do negro na Campanha da Fraternidade de 1988, parte das lideranças do GRUCON (que pregavam o ecumenismo) foi radicalmente contra. Acreditavam que havia interesse do clero negro em ter domínio do processo. Assim mesmo, a campanha foi adiante e a votação na CEP da CNBB foi totalmente a favor da nossa proposta.
Frente ao crescimento do APNs, vários grupos negros civis começaram a atacá-los. Chegam a afirmar que é impossível que uma pessoas autenticamente negra permaneça na Igreja Católica, pois esta historicamente explorou o povo negro. Não conseguiam perceber que o grande desafio seria este: fazer com que as estruturas que um dia oprimiram o negro agora se coloquem a serviço deste mesmo povo negro.
O ano de 1987 é considerado o ano de ouro dos negros católicos. O despertar da consciência negra estava acontecendo em todos os cantos do Brasil. A aprovação e preparação para a CF 88 estava criando estas oportunidades. A Igreja, apesar de muitos conflitos, estava sendo o grande espaço de ressurreição do povo negro. Um setor da Igreja, através dos próprios negros e brancos solidários, estava cumprindo o seu papel de evangelizadores integrais e inculturados e isto estava gerando uma nova visão.
As articulações específicas dentro do mundo negro católico ganham corpo. Eis alguns casos:
1-   Realiza-se o I Encontro Nacional de Padres e Bispos Negros, com boa participação e com propostas concretas, inclusive enviando cartas para Roma solicitando abertura para o início dos estudos do Rito Católico Afro-Brasileiro.
2-   As Religiosas Negras de Jesus Crucificado ganham impulso. Além de realizarem seus encontros nacionais, o fazem também a nível regional.
3-   Os Franciscanos Negros decidem convocar o I Encontro Nacional de Franciscanos Negros.
4-   Religiosos negros de outras congregações começam a despertar para esta realidade. Por exemplo: Verbitas Negros, Missionários Negros do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs Negras da Assunção, Negritude Capuchinha, Negritude Xaveriana, Salesianos Negros, etc. Várias destas articulações só conseguiam clima interno para realizarem seus encontros alguns anos depois.
5-   A nível dos estados, ganham corpo os Encontros Estaduais de religiosos (as), seminaristas e padres negros. Em algumas dioceses estes encontros não foram bem compreendidos. É o caso dos religiosos do Rio de Janeiro cujo IV Encontro Estadual foi realizado embaixo de uma grande tensão. Proibido pelo Cardeal do Rio de Janeiro, chegou a ser manchete nos três principais jornais do país, em 9 emissoras de rádio e em 3 redes de televisão, durante dois dias.
6-   As jornadas dos Menores Contra a Discriminação ganham um grande impulso sob a animação do entusiasta e convicto da causa, o saudoso Pe. Batista. Vários estados começam a trabalhara a questão do menor, trazendo à luz esta denúncia: a grande maioria dos menores abandonados são menores negros. Em cada 10 menores assassinados, 9 são negros!!!
7-   Realiza-se o I Encontro de Formandos e Formandas Negros. A característica deste encontro é singular: só iria reunir aqueles que estavam vivendo situações de conflitos em suas Congregações e por trás do conflito estava presente a questão racial.
8-   Cresce a reflexão sobre a situação da mulher negra na sociedade. Começa-se a dizer abertamente que o homem negro em processo de libertação das estruturas discriminatórias da sociedade precisa ser capaz, também, de olhar para a sua relação com a mulher negra: não estaria ele reproduzindo contra a mulher negra a mesma opressão que sofria da sociedade?
Com a chegada do ano de 88, ano em que se escolheu como tema da Campanha da Fraternidade “A fraternidade e o Negro” a Igreja teve uma bonita e profética atitude de reconhecer que ao longo da história do Brasil ela esteve mais na mesa da Casa Grande, almoçando com os senhores de fazenda, do que nas senzalas, ajudando o povo a ler o evangelho da libertação, lutando por seus direitos.
A CF 88 mantém e prolonga o “período de ouro”, dos APNs. Em várias dioceses, os APNs assumem um nível de organização invejável. É o caso da Arquidiocese de Vitória (ES). A relação com o bispo local é trabalhada e cresce uma relação madura, sincera e incentivadora por parte do bispo auxiliar de Vitória. Nas suas colocações vê-se uma Igreja que faz um grande esforço para que o negro tenha voz e vez dentro do conjunto da Igreja. Ele demonstra lutar junto para que o negro tenha todo o espaço dentro da Igreja. No entanto, ele lembra indiretamente a mútua responsabilidade. Além de voz e vez, é preciso ter radical compromisso com o ser Igreja, ajudando-a se libertar de uma história negativa e construindo uma nova história. Em outras palavras: é fundamental lutar pelos direitos e deveres dentro da Igreja. Em várias regiões do Brasil os APNs tinham um discurso cerrado pelos direitos, mas pouco se falava nos deveres. Este aspecto foi determinante para aumentarem os conflitos em todas as regiões do Brasil. É fundamental resolver este problema de identidade que tem prejudicado os negros católicos ao longo dos anos, atrofiando o processo de crescimento.
Várias dioceses, com prática pastoral libertadora, perguntavam-nos se éramos pastoral ou movimento? A pergunta em si era justa e sincera. Se nos assumíssemos como pastoral, teríamos um tratamento próprio, como todas as demais pastorais. Se nós assumíssemos como movimento, teríamos um tratamento comum aos demais movimentos. Era justamente aqui que se verificava o curto-circuito: em muitas regiões os APNs se apresentavam como movimento mas queriam um tratamento de pastoral.
No encontro das CEBs em Duque de Caxias, em 1989, é distribuída uma cartilha com o título: “Brasil: assuma seu rosto”. O objetivo era o de aprofundar a ligação com as CEBs e partilhar um pouco o rumo da caminhada APN. Ali, em 14 pontos, se apresentavam os objetivos dos APNs.
Em várias dioceses, periodicamente, representantes dos APNs participavam da reunião do clero local para partilharem a caminhada. Isto mostrava que no diálogo e busca de entendimento estava a solução dos conflitos. Infelizmente, assim que um setor dos APNs , através destes diálogos, iam dizendo que não eram pastoral orgânica mas sim um movimento, os padres, líderes leigos, bispos, foram mudando o tratamento: passaram a tratar os APNs como movimento e não mais pastoral.
Algumas dioceses chegaram mesmo a anunciar que não aceitariam a CF de 88 em suas dioceses. Já outras seguiriam o material paralelo elaborado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, na Igreja do Brasil, em 25 anos, uma Campanha da Fraternidade é rachada por um conjunto de dioceses. Isto é o suficiente para nos convencer de que este tema tem muita verdade e questões para serem trabalhadas. Não podemos ter medo da verdade (“a verdade vos libertará”). A imprensa divulga a atitude separatista e o grupo de religiosos tenta partilhar sua reflexão sobre o conflito. Assim se expressaram: “É só isso o que queremos; que a população negra ressuscite nesta sociedade! Ressuscitar na sociedade é poder beneficiar-se de tudo aquilo que nós produzimos e não podemos usufruir”!
Outras dioceses conseguem criar boas equipes de CF de 88, contando inclusive com religiosos negros, e desenvolvem um bom trabalho a nível diocesano. É o caso da Diocese de Niterói, que foi uma das mais atuantes, enquanto estrutura orgânica, de todo o Estado do Rio de Janeiro.
A questão da liturgia inculturada ganha impulso no seu despertar em todo o Brasil, provocada pela CF 88. Em quase todas as regiões onde se anunciava a realização de uma missa, casamento ou batizado afro, o espaço era quase sempre pequeno para o público interessado. A eucaristia voltava a recuperar o seu sentido mais profundo de festa, alegria, refeição, partilha. A comunidade negra começa a estudar e pesquisar o assunto e assim surgem vários textos refletindo sobre a questão. Fica-se surpreso com o número pequeno de padres e bispos que se fecham ao diálogo sobre estes assuntos. Ao mesmo tempo descobre-se que há muitos leigos fechados. Daí nos perguntamos: Como vencer a formação conservadora passada pela Igreja nos 500 anos?
Apesar de todos estes encontros e desencontros foi o período da história da evangelização do Brasil em que o povo negro, através de seus convictos agentes, mais caminhou e construiu a proposta a que podemos chamar de projeto alternativo de evangelização. Foi algo pequeno, mas intenso!
Ao longo destes 500 anos o negro católico viveu como um pêndulo preso. Na década de 80, a ação do negro católico e de setores da Igreja funcionou como se fosse o desamarrar do pêndulo. Todo pêndulo, ao ser desamarrado, tem a tendência de ir para o outro lado e não parar no meio, em situação de repouso. Repouso é um estágio a conquistar. O mesmo acontece com a caminhada do povo negro: os conflitos que surgiram devem ser entendidos como naturais, fazendo parte do processo de libertação. No entanto, o objetivo de todos não é o conflito, mas sim o equilíbrio, que virá com as conquistas das garantias da cidadania do povo negro na sociedade e na Igreja.
VI . CONCLUSÃO
Acreditamos que estamos vivenciando uma das fases mais nobres da comunidade afrodescendente brasileira. Estamos num ritmo de produção de reflexão bastante fértil. A produção intelectual é fase decisiva para ajudar na mudança que sonhamos. A articulação das forças afrodescendentes civis com as religiosas nunca estiveram num estágio tão avançado como nos últimos 5 anos. A experiência educativa popular e racial iniciada pela Pastoral do Negro juntamente com o Grupo de Religiosos, Seminaristas e Padres Negros através do GRENI cresceu e se alastrou em toda sociedade periférica do Rio de Janeiro e do Brasil. Estima-se em mais de 700 grupos de pré-vestibulares comunitários em várias religiões e entidades sendo que boa parte trabalha a questão racial. O Pré-vestibular para Negros e Carentes que nasceu a partir da Pastoral do Negro já é uma grande realidade e está mudando o perfil dos afrodescendentes brasileiros. Este resultado será largamente visto nos próximos 10 anos! A opção pelo investimento na Educação está sendo um dos passos mais acertados na comunidade afrodescendente nos últimos 50 anos!
Frei David Raimundo Santos ofm
Praça Pe Bento nº 1 Igreja Santo Antônio do Pari
CEP 03031-050 PARI SP
Telefax (0xx11) 3311-0455 r 18
TÍTULOS DO AUTOR:
n    Formado no ano de 1983 em FILOSOFIA E TEOLOGIA pela Faculdade do Instituto Teológico Franciscano, sediado em Petrópolis, RJ.
n    Participou de Seminários e Conferências nos EUA; Colômbia, Equador, Honduras, Alemanha.
n    Participou de viagens de pesquisas em Angola, Zaire e África do Sul.
n    Curso de Especialização em Liturgia
n    Cursa Mestrado em Teologia Litúrgica com ênfase em Inculturação pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção da Arquidiocese de São Paulo, Brasil.
n     Um dos Fundadores da EDUCAFRO – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes São Paulo.
n    Um dos fundadores do movimento do Pré-vestibular para Negros e Carentes – Brasil.
BIBLIOGRAFIA CONSULTUDA:
n    CNBB, Texto Base da Campanha da Fraternidade, 1988
n    Observatore Romano, 1/3/92
n    Comissão de Religiosos, Seminaristas e Padres Negros. OUVI O CLAMOR DESTE POVO…NEGRO, Vozes, Petrópolis, 1987.
n    Oliveira Luz, Marco Aurélio. AGADÁ: Dinâmica do Processo Civilizatório Negro no Brasil. Tese de Doutorado em Comunicação da UFRJ, 1988.
n    Hoornaert, Eduardo. Padres e Escravos no Brasil-Colônia in Vida Pastoral. Janeiro e Fevereiro de 1988.
n    Vainfas, Ronaldo. Trópico dos Pecados. Editora Campus, p. 364, 1989.
n    Pinaud, João Luiz e outros. Insurreição Negra e Justiça. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1987.
n    Crônicas do Convento de São Francisco. São Paulo, livro 1, p. 2, 1904.
n    Chiavenato, J. J. O Negro no Brasil: da senzala à guerra do Paraguai. Braziliense, 1980
n    Rodrigues, J. H. Brasil e África. Editora Nova Fronteira, 1980, p.121.
n    Fragoso, Frei Hugo. Uma dívida para com os negros do Brasil, in Revista de Cultura Vozes, ano 82, número 1.
n    Vários autores. Negros no Brasil: Dados da Realidade. Petrópolis, Vozes- Ibase, 1989.
n    Silva, Edson. 500 anos de pena de morte, in REB 51, de março 1991, p.175-188.
n    Las Casas, Bartolomé de. O Paraíso Destruído; A sangrenta história de conquista da América Espanhola, Porto Alegre, 1984.
n    Sete Atos Oficiais que decretaram a marginalização do negro no Brasil, in: Convergência 284 (jul/ago. 1995).
n    Relatório sobre a presença e atuação de APNs na Diocese de Duque de Caxias – Arquivos pessoais do Frei David.
n    Documento final do I Encontro de Padres e Bispos Negros do Brasil.
n    Documento final do I Encontro dos Franciscanos Negros do Brasil, in: SEDOC 20 (maio/jun. 1988)
n    VV.AA., Brasil assuma o seu rosto! Edição independente, 1989.
n    Relatório de atuação dos Agentes de Pastoral Negros em preparação à CF de 88; elaboração de Padre Jurandir (salesiano)
n    Uma contribuição ao debate em torno do Rito Católico Afro-Brasileiro, in: Convergência 284 (jul/ago. 1995), p. 418-421.
n    Convergência 287. Novembro,1995, p.583-585.
n    Vários autores. A PASTORAL ENTRE PUEBLA E SANTO DOMINGO I: tensões e mudanças na década dos anos 80. Editora Vozes, Petrópolis, 1997.

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