Fatos e acontecimentos

TURISMO ÉTNICO-AFRO E SEUS DESDOBRAMENTOS

Germano Conceição, do Quilombo Santiago de Iguape: “Os turistas querem vivenciar a nossa cultura, não apenas ver”

O 1º Seminário Nacional de Turismo Étnico Afro, organizado pelo Governo do Estado da Bahia, através da secretaria de Turismo e Bahiatursa, reuniu populares, estudantes, professores, artistas, produtores culturais, empresários e representantes de comunidades quilombolas e indígenas para um ciclo de palestras e debates com o objetivo de fomentar ainda mais as discussões sobre o desenvolvimento e promoção do turismo étnico-afro da Bahia, o estado brasileiro que tem o maior potencial nesse sentido. Entre as pautas do seminário, além da apresentação do calendário festivo do estado – celebrações religiosas, dança, folclore, gastronomia e carnaval – e a possível inclusão de outros eventos e locais menos procurados (mas com grande potencial turístico), o evento apresentou palestras como Estratégia de Marketing e Promoção do Turismo Étnico-Afro na Bahia, com a presidente da Bahiatursa, Emília Salvador Silva; Turismo Étnico Afro como veículo de inclusão social, com a secretária de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia, Luiza Bairros, e Festas Populares em Salvador, com o professor Antônio Jorge Victor dos Santos (Gody). A capoeira como, produto turístico e de inclusão social foi destaque em uma calorosa discussão. “É a primeira vez que realizamos o seminário e superamos a expectativa. O público e a mídia compareceram. A ideia é que esta iniciativa faça parte do calendário anual de eventos da Bahia para, a cada ano, trocarmos experiências nacionais sobre a cultura afro”, afirmou Emília Salvador Silva. O seminário teve seu encerramento oficial no terreiro Oxumaré. Com casa cheia, as discussões finais abordaram as religiões de matriz africana e como elas podem crescer e ser abordadas no estado, atraindo mais turistas aos terreiros, mas de forma que as mesmas sejam preservadas.



Uma rica rica produção
Paralelo ao seminário, a 1ª Feira da Produção Associada ao Turismo Étnico Afro foi uma grata surpresa que levou ao Centro de Convenções da Bahia todas as cores e criatividade da cultura afro, representadas por mais de 100 expositores – artesãos, pintores, artistas plásticos, estilistas, designer, instituições etc. – com diversos produtos e serviços. A designer de biojoias Luana Bonfim acredita que o público pede cada vez mais que a cultura africana seja mostrada. “Está mais aceita e as pessoas não estão mais vendo os produtos de inspiração africana como algo exótico. Sabendo combinar direito, funciona bem para qualquer ocasião”, opina Luana, que segue a linha ecologicamente correta, usando produtos naturais como madeira, coco e sisal em suas peças. Outro que acredita na popularização é o designer de moda Cid Brito, da grife In Cid. “Defino o meu trabalho como a África Moderna. As roupas têm uma modelagem, uma estampa que chamam a atenção. Os jovens estão muito antenados e à procura de peças que têm um diferencial. Querem uma roupa mais moderna, com apelo mais de cidade grande, de urbanização aliado à identidade, mas sem ser exótica,”, explica o estilista. Para ele, a importância do evento está, principalmente, na divulgação de novos artistas e tendências.

Cid Brito e suas criações: “África Moderna”   Luana Bonfim faz bolsas e joias com produtos ecologicamente corretos

A feira apresentou também estandes voltados à leitura, educação, gastronomia, artes e roteiros turísticos ainda pouco explorados, mas que surgem nesse cenário com grande potencial, como é o caso das comunidades quilombolas. “Os turistas, principalmente os estrangeiros, enxergam a visita como um tema marcante. Por ser uma comunidade de negros remanescentes de quilombos, podemos oferecer a eles a vivência e alegria do nosso povo, como a feitura do azeite de dendê e da farinha, os conhecimentos das ervas medicinais, mostramos a nossa tradição. O turista não quer apenas chegar e ver. Ele quer sentir, fazer, participar de tudo. Esse é o nosso grande diferencial”, diz Germano Conceição Barbosa, morador do quilombo Santiago de Iguape, enquanto divulgava a Rota da Liberdade, constituída por comunidades quilombolas na região do Recôncavo Baiano.

fonte: revista RAÇA

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