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Teologias africanas: palavra que liberta

Teologias africanas: palavra que liberta


Além-Mar, a revista dos Missionários Combonianos no Portugal, apresenta uma panorâmica breve de algumas teologias africanas, numa tentativa de incursão no fértil terreno da inculturação do cristianismo na África, tentando evidenciar o itinerário que os africanos estão percorrendo para se apropriar da Boa Notícia do Crucificado – Ressuscitado.
A CARNE NEGRA DO VERBO
É indispensável o diálogo entre religiões tradicionais africanas e Bíblia, se se quiser elaborar uma cristologia negro-bíblica, uma teologia inculturada.
John Mbiti, pastor anglicano de origem queniana, é um dos maiores especialistas em religiões africanas. Entre as suas numerosas publicações (todas com muitas edições e traduções) sobressaem: African Religions and Philosophy (já um clássico), New Testament Eschatology in African Background e Bible and Theology in African Christianity.
Um dos seus principais intentos é mostrar as semelhanças culturais e espirituais verificáveis entre as culturas negro-africanas e a hebraica, bem como a enorme presença de africanos na história do povo hebraico desde os tempos mais antigos. O próprio Moisés, o líder escolhido por Deus para libertar os hebreus da escravidão do Egipto, crescera na corte do faraó e conhecia bem as práticas mágicas e a filosofia religiosa e esotérica egípcia. O livro do Êxodo narra os seus confrontos e conflitos públicos (de natureza teológica, portanto verdadeiras teomaquias) com os magos do faraó, soberano divinizado.
No decurso de um congresso sobre “África Negra e Bíblia”, realizado em Jerusalém em Abril de 1972, o professor Chaim Rabin, docente na Universidade de Jerusalém, depois de ter demonstrado que, culturalmente falando, a Bíblia está fortemente radicada nas culturas e nas tradições religiosas africanas, demonstrou igualmente as evidentes relações existentes entre as línguas africanas e a Bíblia hebraica. Também Mbiti nunca teve dúvidas: do ponto de vista das estruturas linguísticas, semióticas, simbólicas, antropológicas e religiosas, as línguas da África negra estão mais próximas da língua hebraica do que as línguas europeias modernas. E ao mesmo tempo que se alegra pelas numerosas traduções do texto sagrado nas línguas africanas, Mbiti exorta os biblistas africanos a prosseguir com determinação e perseverança esta importante tarefa, a fim de se conseguir que um número cada vez maior de africanos possa alimentar-se da riqueza teológica, filosófica, cultural e política contida nos textos bíblicos.
Com um encorpado estudo apresentado no colóquio dos teólogos do Terceiro Mundo em Acra (Gana) em 1977, John Mbiti distingue três tipos principais de teologia africana: a teologia escrita, produzida sob forma de artigos ou de obras de teólogos eruditos ou letrados, a maioria dos quais é formada nas universidades ocidentais; a teologia oral, produzida no campo pelo povo através do canto, da pregação, da oração ou da conversação quotidiana, e que infelizmente nunca foi posta por escrito; e a teologia simbólica, que se exprime na arte, na escultura, no teatro, nos ritos e na dança.
Cristologias negras inculturadas
Visto que, segundo a fé cristã, no centro da Escritura se encontra o Verbo de Deus feito carne, é lícito para um africano perguntar-se se essa carne do Verbo pode ser também africana.
No centro da pesquisa teológica de Justin S. Ukpong, católico nigeriano, professor de Novo Testamento e Teologia Africana na Universidade Católica da África Ocidental, em Port Harcourt (Nigéria), figura a questão da inculturação da fé cristã em terras de África. Uma atenta descrição histórica, exegética e teológica do chamado «movimento de Jesus», surgido no contexto religioso, social, político e cultural da Palestina do século I, mostra fortes semelhanças com elementos socioculturais e religiosos que são típicos das culturas negro-africanas. Isto abre perspectivas interessantes sobre o processo de uma inculturação da fé cristã em África.
A principal reflexão do autor incide sobre a urgência de os cristãos africanos descobrirem o significado derradeiro de Jesus Cristo e de assumirem, com toda a responsabilidade e lucidez teológica, o sentido profundo da sua profissão de fé nele. Como noutros lugares, também em África a tarefa primeira de toda a inculturação da fé cristã consiste em encontrar, nos recursos espirituais, metafísicos e morais de uma dada cultura, as razões profundas que subentendem a adesão das pessoas de hoje à pessoa viva de Jesus Cristo como Senhor e Salvador de toda a sua vida. Escusado será dizer que toda a verdadeira inculturação deverá desenvolver-se inteiramente segundo uma lógica cristocêntrica e trinitária, acolhendo de maneira crítica e dinâmica os testemunhos do Evangelho sobre a vida e sobre o movimento de Jesus de Nazaré na Palestina do século I.
LIBERTAÇÃO NO CENTRO
A reflexão teológica e cristológica africana confronta-se com as chagas políticas e sociais que atravessam o continente.
Originário dos Camarões, Victor Wan-Tatah é professor no Departamento de Filosofia e Estudos religiosos da Youngstown State University do Ohio (EUA), e no seu volume Emancipation in African Theology, elabora uma cristologia negro-africana da libertação, centrando-se sobre as realidades históricas, culturais, religiosas, políticas e económicas dos Camarões. A sua metodologia consiste em colher categorias teológicas e epistemológicas das teologias latino-americanas da libertação, com o objetivo de construir uma cristologia africana da libertação adequada à Igreja dos Camarões em particular e às Igrejas africanas em geral.
Partindo da desconcertante revelação de Deus na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Wan-Tatah inscreve a necessidade de uma teologia negro-africana da libertação na kénosis (esvaziamento) de Deus em Jesus de Nazaré, servo sofredor de Javé. Os sofrimentos e as misérias dos Africanos devem impelir as Igrejas, os cristãos e os teólogos do continente a lançar estratégias concretas para sair da eterna crise em que se encontra a África Subsaariana. O desprezo dos direitos elementares do homem que se institucionaliza e se normaliza quase sem exceção em toda a África provoca a erosão do tecido social e familiar e faz aumentar sensivelmente o número de refugiados africanos em todo o mundo.
Empenho profético
Laurenti Magesa, sacerdote e teólogo católico tanzaniano, é um dos mais dinâmicos pensadores da África de Leste. Depois de ter sido durante muito tempo professor de Teologia Moral na Universidade Católica da África Oriental de Nairobi (Quénia), foi “exonerado” pelas autoridades religiosas do seu país. Desde então, está confinado numa pequena povoação do Norte da Tanzânia. Autor prolífico, está ainda hoje a trabalhar, e com convicção, numa verdadeira teologia africana da libertação, baseada no empenho profético dos cristãos e das Igrejas africanas pós-coloniais com vista a uma maior democracia também no interior das próprias igrejas.
Sempre fundamental é a sua volumosa tese de mestrado, Ujamaa Socalism in Tanzania. A Theological Assessment, onde apresenta uma interpretação teológica do socialismo africano tal como foi teorizado e traduzido na prática pelo antigo presidente tanzaniano Julius Nyerere. Para Magesa, o ujamaa (suaíli para “solidariedade familiar”) é uma resposta aos desafios políticos, sociais, culturais e económicos da África independente, apostada em procurar vias autóctones de humanização depois das catástrofes do comércio esclavagista e da dominação colonialista e pós-colonialista causadas pelas potências imperialistas europeias.
A sua frontalidade no falar chegou até à Europa para recordar a uma Igreja Católica, fortemente impregnada de valores ocidentais, que existe uma África que tem uma história e uma cultura, tradições e valores, que pensa e cria, e que, a despeito da secularização difusa, ostenta um património religioso digno de respeito que, dentro e por meio da comunidade, concorre para a promoção do indivíduo e para a harmonia do universo. Conceitos estes que Magesa reafirmou em African Religion. The Moral Traditions of Abundant Life (1997), onde apresenta e aprofunda a espiritualidade africana como possível fundamento de uma ortodoxia e de uma ortopraxia de libertação.
Reconstrução
O paradigma teológico da reconstrução representa uma tentativa de superação e de integração das diferenças de perspectivas, de métodos, de tonalidades e de objectivos existentes entre as várias teologias africanas. A teologia da reconstrução amplia a visão das teologias da inculturação e da libertação, centrando os seus esforços mentais e as suas preocupações práticas sobre o imperativo ético da transformação sociopolítica e da reconstrução das sociedades desintegradas da África pós-colonial.
O mais conhecido expoente desta corrente é o pastor protestante, de origem congolesa, Kä Mana, cuja produção teológica visa traçar os caminhos de uma inculturação do Evangelho no contexto da crise que atinge as sociedades africanas desde há já muitos anos.
No mundo anglófono, esta escola é uma emanação das reflexões teológicas e das estratégias práticas e pastorais florescidas no interior da Conferência de Igrejas de Toda a África (CITA/AACC). No decurso da 6.ª Assembleia Geral da CITA em 1987 (em Lomé, Togo), o teólogo queniano Jesse N. K. Mugambi declarou que «a reconstrução global do continente africano é o maior desafio teológico, político e socioeconómico que as igrejas cristãs têm hoje de acolher, e com toda a urgência, porque hoje é o kairós, o momento decisivo». Referia-se, em particular, ao regime «racista, escravagista e diabólico» do apartheid na África do Sul, que estava prestes a desmoronar-se sob o assalto das forças sociais locais e as sanções da comunidade internacional.
O «PRIMEIRO ANTEPASSADO»
Para se apropriarem da mensagem de Cristo, o primeiro antepassado, os africanos vivem o desafio de serem autenticamente cristãos e autenticamente africanos.
Para conhecer o desenvolvimento da teologia africana, não se pode prescindir da obra African Theology: Inculturation and Liberation (1993) do teólogo presbiteriano do Ghana Emmanuel Martey: uma brilhante e bem conseguida avaliação crítica das produções teológicas negro-africanas dos primeiros 40 anos de independência. Ao mesmo tempo que oferece uma panorâmica das teologias negro-africanas contemporâneas, o autor propõe-se o objetivo de ler a quase totalidade das produções como «um longo e paciente processo de apropriação teológica, hermenêutica e política da fé cristã por parte dos Africanos», a braços com as numerosas dificuldades e sofrimentos que caracterizam as sociedades negro-africanas a sul do Sara no pós-independência. Organizado em cinco densos capítulos, com uma encorpada introdução e uma interessantíssima conclusão, o livro oferece também 58 páginas de bibliografia: uma mina de preciosas informações que traçam a génese, os desenvolvimentos, as dificuldades e as atualizações verificáveis nos teólogos africanos contemporâneos.
O objetivo de Martey é ir além das superficiais diferenças verificáveis nos diversos autores. Ultrapassando a tradicional classificação de «teologia da inculturação» (a desenvolvida pelos teólogos dos países subsaarianos, quer francófonos quer anglófonos) e «teologia da libertação» (elaborada pelos teólogos da África do Sul), Martey considera as duas tendências como correntes de um mesmo processo dialético de apropriação da fé cristã. No fim de contas, reclamar o direito de ser «autenticamente cristãos e autenticamente africanos» não é porventura o primeiro passo em ordem à libertação que Cristo concede à África?
Identidade e fé
Constantemente preocupado com a identidade cristã africana, em Christianity in Africa: The Renewal of a non-Western Religion (1995), Kwame Bediako, o conhecido teólogo presbiteriano do Gana falecido em Junho de 2008, reflete sobre os desafios que a fé em Cristo teve e tem ainda de enfrentar na África contemporânea. É constante nele a pergunta: como reconciliar e levar a dialogar as religiões africanas e o Cristianismo implantado no continente com uma roupagem ocidental? Só uma sincera e corajosa resposta a esta pergunta poderá indicar os caminhos em direção ao despontar de uma fé cristã em linha com as profundas estruturas espirituais, simbólicas e religiosas das culturas locais. Entre estas estruturas, a omnipresença dos antepassados e a intricada dialética entre o mundo invisível dos espíritos e o mundo visível constituem um delicado – mas inevitável – lugar teológico na busca de um carácter negro-africano da fé em Cristo.
Grande conhecedor da história do Cristianismo, Bediako foi um forte defensor da oposição entre a racionalidade «holística e religiosa» dos Africanos e a «instrumental e unidimensional» dos ocidentais: o inteiro processo de incubação da fé cristã na África pós-colonial foi marcado pelo contraste entre estas duas mentalidades. O inegável monoteísmo das religiões africanas (para lá das inúmeras acusações de politeísmo lançadas pelos ocidentais) deve ser sempre tido em conta quando se analisa a incidência que as crenças e as práticas religiosas tradicionais têm na vida dos cristãos africanos de hoje. Se não há senão um único Deus para Israel e as outras nações, é preciso então afirmar a identidade teológica entre o Deus das religiões tradicionais africanas e o Deus de Jesus Cristo.
O advento de Cristo em África permite aos Africanos identificar aquele que é o enviado de Deus por excelência e que conduz as suas religiões à perfeição. A fé, portanto, deverá ser centrada em Cristo. Ele poderá ser definido também como «antepassado» ou «proto-antepassado» (veja-se o congolês Bénézet Bujo, Nyamiti, Mbiti e outros), mas a sua vinda ao mundo africano deverá «descentralizar e relativizar sensivelmente a mediação soteriológica dos antepassados», sem todavia os demitir da cena religiosa africana.
Categorias europeias
Também Theology in Africa (1986) de Kwesi A. Dickson, pastor metodista do Gana, antigo presidente da Conferência de Igrejas de Toda a África (CITA), falecido em 2005, é um ponderado resumo das questões, dificuldades e desafios epistemológicos verificáveis nas obras dos principais teólogos africanos. Uma interrogação que faz de fio condutor às suas reflexões é a seguinte: a que condições pode o Cristianismo ser autenticamente africano e, ao mesmo tempo, inteiramente fiel ao Evangelho de Jesus Cristo? Em The Theology of the Cross in Context, um dos seus últimos estudos, publicado no Journal of African Christian Thought (Junho 2003), confessava também a sua constante preocupação por uma teologia cristã autenticamente africana.
Para Dickson, a expressão «teologia africana» indica os esforços empreendidos por simples cristãos e teólogos de África para se apropriar da mensagem de Jesus Cristo, que souberam captar para lá das graves ambiguidades devidas à conivência entre colonização e evangelização. É inegável que, nas décadas a seguir à independência, muitos africanos encontraram na fé cristã os recursos espirituais e morais para enfrentar com coragem e dignidade tremendas «crucifixões». A reflexão teológica dos Africanos deverá desenvolver-se segundo uma lógica cada vez mais «cristocêntrica» para poder captar o essencial da mensagem de Jesus Cristo, despojando-a das categorias de pensamento ligadas à cultura europeia em que lhes foi transmitida pelos missionários ocidentais.
O DEUS DOS OPRIMIDOS
Hoje, como nos tempos do apartheid, o pensamento teológico africano manifesta-se como poderosa força de transformação social.
A obra de referência, que veio a tornar-se um clássico na análise sociológica, política e religiosa dos movimentos messiânicos, proféticos e terapêuticos na África Austral, é Bantu Prophets in South Africa (1961) de Bengt G. M. Sundkler. O livro descreve o contexto político, cultural, social, religioso e económico que favoreceu o aparecimento e a difusão dos movimentos messiânicos e terapêuticos afro-cristãos num ambiente de discriminação institucional e política em relação aos negros.
Sundkler observa que os profetas das Igrejas afro-cristãs centram a sua pregação dominical na urgência da conversão, no regresso a Deus de cada pessoa e na espera vigilante do “Dia do Senhor” através do jejum, da oração e da esmola. Durante essas liturgias faz-se lampejar diante dos olhos de todos «o juízo escatológico de toda a criatura diante do rosto e do trono de Deus Criador». Esta forte “concentração escatológica” culmina na segunda parte das celebrações dominicais, dedicada às orações públicas de intercessão e de cura divina, através da imposição das mãos e da proclamação de palavras inspiradas pelo Espírito Santo. Os pregadores e profetas destas Igrejas interrogam frequentemente a assembleia: estais preparados para acolher a morte e comparecer diante de Deus? As Igrejas afro-cristãs proliferam hoje em todas as grandes cidades africanas e da diáspora da Europa e da América do Norte e vivem a sua fé segundo a sensibilidade cultural e religiosa negra. Durante o regime racista e escravagista na África do Sul, as Igrejas cristãs desempenharam papéis contraditórios, por vezes diametralmente opostos. Por um lado, as Igrejas reformadas holandesas ofereceram a legitimação teológica e ideológico-política às autoridades tirânicas que relegaram a maioria negra e mestiça para uma vida de escravos. Por outro, as Igrejas mais próximas das populações negras opuseram-se com firmeza ao regime do apartheid, favorecendo o despontar da consciência negra e da teologia negra da libertação. Para uma boa selecção de textos dos principais autores da teologia negra da libertação, pode-se consultar Chrétiens d’Afrique du Sud face à l’Apartheid de Anne-Marie Goguel e Pierre Buis (2004).
No seu estudo “Teologia negra da libertação”, o teólogo sul-africano Simon S. Maimela descreve o contexto sociopolítico e económico de opressão e de escravidão que viu nascer a teologia negra da libertação durante o longo período de domínio da minoria branca sobre a maioria negra. Esta corrente teológica está em estreita conexão com a teologia negra da libertação nos Estados Unidos, onde os negros durante muito tempo foram tratados como não-humanos, não-pessoas, animais sem alma e, por conseguinte, predestinados a ser escravos, sem valor humano, nem dignidade, nem direitos.
Para Maimela, a teologia negra da libertação é uma reação – «coletiva e teológica, vigorosa e subversiva» – contra o regime escravagista que os brancos impuseram aos negros sul-africanos durante quatro séculos. É um grito de rebelião e uma revolta coletiva de pessoas que, graças à sua fé em Cristo, pretendem viver na liberdade e com dignidade, sem ter de pedir aos seus tiranos este direito inalienável.
A libertação preconizada pela teologia da libertação é «holística e teocêntrica», porque Deus, no seu amor e na sua justiça, liberta quer os ricos perseguidores, quer os pobres perseguidos pela escravidão do pecado que conduz afastamento de Deus Criador. Escusado será dizer que esta libertação, fruto da graça incondicional e infinita de Deus, torna possível uma interpretação teológica de todas as lutas dos negros e de todos os outros escravos que se batem contra as estruturas de pecado que estão na base das injustiças, das guerras e das violências no mundo de hoje. Num mundo caracterizado pela exploração sistémica dos povos do hemisfério sul por parte das grandes potências militares, capitalistas e tecnológicas do planeta, Deus continua a ser o último baluarte para milhões de seres humanos condenados à morte simplesmente porque a atual globalização liberalista assim decidiu. Daí a focalização dos teólogos negros da libertação sobre práticas teológicas, litúrgicas, sociais e políticas das camadas populares, que celebram em cada dia o Deus libertador e salvador.
Contrariamente à teologia racista das igrejas reformadas holandesas – que tinham fornecido a justificação teológica do apartheid – a teologia negra da libertação induziu as massas populares a entrar num movimento de resistência moral, política e social contra as injustiças económicas e políticas.
Também hoje, uma vez que a fé em Deus ocupa um lugar preponderante na grande maioria da população sul-africana, a teologia cristã tem de continuar a ser uma força de transformação radical da sociedade, através da promoção de uma mentalidade profética e “revolucionária” entre as ainda demasiado numerosas vítimas negras do apartheid económico que continua a reinar no país, apesar do fim oficial da segregação racial.
Autor: Benoit Awazi Mbambi Kungua
Fonte: Além – Mar, abril de 2010.

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