Uncategorized

“Os Missionários Combonianos acompanhando o Povo Afro-descendente”

Missão: Os Missionários Combonianos acompanhando o Povo Afro-descendente

Com o Painel “Cultura afro-americana, Igreja e sociedade”, os Missionários Combonianos da Província do Equador inauguraram hoje, em Guayaquil (a maior cidade do país) as novas instalações de um Centro de Pastoral Afro que pretende tornar-se uma referência de articulação, reflexão e acompanhamento das lutas do povo afro-equatoriano. À mesa foram convidados, como relatores, Mons. Arellano (Esmeraldas, responsável da Pastoral Afro pela CELAM) e Mons. Guido Iván Minda, (primeiro bispo negro do Equador, auxiliar de Guayaquil); os padres combonianos José Joaquín Luis Pedro (responsável do Departamento da Pastoral Afro da Conferência Episcopal Equatoriana) e Fidel Katsan (da Pastoral Afro Brasileira); a irmã Aída Orobio, coordenadora de Processos Organizativos Afro-Colombianos; a Missionária Afro Nieves Méndez; e o economista Uriel Castillo, da Universidade Católica de Guayaquil.
Mons. Arellano reconheceu que a “sociedade latino-americana vai aprendendo a reconhecer, cada vez mais, o espaço devido ao povo afro, reconhecido como cultura. A própria Igreja também está movimentando-se, cada vez mais, nessa direção”. Por sua vez, Mons. Guido Iván, apelou à dimensão “analógica” da realidade para que “a sociedade e a Igreja não vejam com receio a Pastoral Afro”, como um grupo ou alheio, contrário ou sobreposto a outros grupos eclesiais. Já o Pe. Joaquín Luis Pedro lembrou que o papel da Igreja “não é suprir o Estado no atendimento das necessidades básicas das comunidades negras, e sim ajudar na conscientização da comunidade afro e apoiá-la para que ela mesma reivindique, por direito, a atenção a tais necessidades”, ajudando-a, inclusive, na criação de “laboratórios de pensamento afro”.
Por sua vez, a Hna. Aída ressaltou os recentes avanços sociais e culturais e pastorais da população afro-colombiana, tais como a aprovação de uma legislação que garante os direitos de propriedade da terra (titulação de territórios em quase 70%) à população negra e a criação de conselhos comunitários que buscam acompanhar a defesa dos direitos humanos e do direito à vida em meio a um contexto de constante violência. No aspecto cultural, destacou que, particularmente junto às mulheres e os jovens, a Pastoral Afro-colombiana sente a urgência de “dar razão da própria cultura”, pesquisando, sistematizando e dando a conhecer as raízes de elementos culturais presentes em alguns setores da vida e da sociedade colombiana (culinária, música, rituais, etc.). A licenciada Neves Méndez, referindo-se à sua participação ativa na Pastoral Afro, reconheceu que a sua inserção na mesma é uma oportunidade para reencontrar-se com as próprias raízes, como “filha e membro da diáspora africana”; todavia, embora a Igreja tem avançado (desde Medellín até a Conferência de Aparecida) no reconhecimento da necessidade de acompanhar as comunidades de afrodescendentes, ainda “tem muito a fazer para alavancar, com maior convicção, a Pastoral Afro”, dando-lhe maior visibilidade e operatividade.
Já o economista Uriel Castillo, fazendo uma rápida análise da inserção das comunidades afro-equatorianas no mercado de consumo, lembrou da importância da comunidade negra na economia nacional, não somente desde a perspectiva do seu peso relativo na mesma, e sim desde o desafio de influenciar modelos de desenvolvimento caraterizados pela sustentabilidade e pela equidade e, para isso, é preciso promover a criação de uma cultura de reflexão sobre as possibilidades de inserção nos processos e nas políticas econômicas. O Pe. Fidel fez o esclarecimento sobre a pluralidade de culturas “afro-americanas”, devido aos contextos diversos dentro dos próprios países e às raízes africanas também diversas. Contudo, há elementos comuns entre elas que revelam uma unidade de base: ancestralidade, a força vital, a corporeidade, a oralidade (tradições, contos, música, etc.), a valorização do ancião, o senso comunitário, resistência, sentido de transcendência, etc., e destacou a necessidade de “cuidar para que todos esses valores sejam preservados e promovidos”.
A inauguração do Centro Afro de Guayaquil foi um dos eventos que marcaram o encontro continental que os Missionários Combonianos estiveram realizando durante os dias 01 a 06 de março na perspectiva de articular melhor e fortalecer o acompanhamento das populações afro-americanas e sinal de implementação de uma das prioridades do Capítulo Geral realizado pelo Instituto em setembro e outubro passados.
Redação Ecooos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s