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Até um Dia Pe. Toninho!!!!

Companheiros,Companheiras,
Axé!
“Não creio que as pregações ideologicamente interessadas tenham sido determinantes e fatais para a compreensão da figura de Jesus Cristo na Comunidade Negra. Desde cedo,os negros perceberam a singularidade de Jesus,a sua mística divino-humana,a sua solidariedade com os pobres,e seu projeto de libertação-salvação. Em outros termos,os negros perceberam que a Igreja Católica,no Sul,e as Igrejas Protestantes,no Norte,embora vivendo em meio à escravidão e contaminando-se com ela,eram,entretanto,portadoras de uma grande mensagem,à qual elas mesmas eram devedoras. Uma mensagem que as superava enquanto entidades de fé: ‘santas e pecadoras’”[1]
      Hoje[17/12/2009],às 21:30hs[horário de Brasília – horário de verão],faleceu na Cidade de Parapuã-SP,nosso irmão,companheiro,amigo,pai;o sacerdote orionita Pe. Antônio Aparecido da Silva: PATRIARCA DA PASTORAL AFRO-BRASILEIRA.
      Nascido no dia 28 de novembro de 1948, em Lupércio, pequena cidade do interior de São Paulo; viveu uma boa parte de sua infância e juventude em Parapuã, outra pequena cidade do interior de São Paulo; onde será sepultado, amanhã[18/12], às 10:30hs.
      Tinha 33 anos de vida sacerdotal e pertencia a Ordem Religiosa da Pequena Obra da Divina Providência[Orionitas].
            “A ressurreição, enquanto acontecimento totalizante e totalizador, instauradora de um novo messianismo e da vigência atual e escatológica do Reino, torna-se ponto de encontro e plenificação de todos os anseios e aspirações. A ressurreição é um fato globalizante, uma sementeira jogada sobre o universo. Deus nos ‘escolheu em Cristo antes de criar o mundo’,nos diz a Carta aos Efésios,’derramou abundantemente sobre nós’ a sua graça(cf. Ef 1,4.6). Portanto,a ressurreição é o lugar da convergência,assim como a cristologia é a plenificação de todas as antropologias”[2]
            Aqui em Recife, na Universidade Católica de Pernambuco[UNICAP], muitos se recordaram imediatamente de suas passagens por nossas terras pernambucanas; ministrando aulas, assessorando encontros diversos ou descansando simplesmente, como fez em julho passado. A saudade é grande e como nos ensina a poetisa, queremos “fazer das lembranças um lugar seguro”
Toninho vive! Homens e mulheres que viveram como ele, não morrerão nunca; nossa memória alcança neste momento:Zumbi dos Palmares,Martin Luther King,Jônatas da Conceição,Mãe Menininha do Gantois,Vilma da Portela,Mestre Neguinho do Samba,Ekedi Cremilda Barbosa, Pixinguinha,Bakita,N’há Chica,Pe. Vitor, Dom Jairo Rui Matos, Pe. Edir Soares, Pe. Mauro Batista, Pe. Heitor Frisotti, Pe. François L’Espinay, Pe. Batista, Pe. Tião, Dom Helder Câmara, Monsenhor Pandolfo, Pe. Mauricio.
Ele mesmo nos ensinou: “A comunidade é, portanto, o ponto de referência na vida e na morte: Quem vive comunitariamente, não morre jamais. Ao terminar os seus dias, permanece na comunidade como Ancestre. Ao contrário, quem vive de maneira exclusivista, egoisticamente, morre e não se torna nada mais que um cadáver”[3]

Nestes dias a Coleção “OS NEGROS”,da editora Caros Amigos,no fascículo de nº12,traz uma “matéria” com o título:”Padre Toninho e o resgate da cultura afro em São Paulo “;entre outras coisas,lá, está dito:”Esse senhor de quase 61 anos,de fala mansa,que procura se adequar precisamente às palavras,frisa que o bairro do Bexiga,em seus primórdios,décadas 20 e 30,era habitado por duas comunidades marginalizadas. Os negros recém saídos da escravidão e os italianos do Sul da Itália. ‘Eu vim para a Achiropita com essa preocupação'(…)Padre Toninho passou a fazer  contato com as raízes negras da região,terreiros de Candomblé e Umbanda e a Escola de samba Vai-Vai. Passou a freqüentar esses locais,incitando seus componentes mais importantes a participar também,acentuando o sincretismo da pastoral(…)Para ele ‘a fé não deve eliminar a cultura. Ao contrário,deve ser celebrada a partir da cultura.Sendo assim,a Igreja Católica chamou isso de inculturação da fé'(…)” 
   Padre Antonio Aparecido da Silva carrega em seu nome tradições religiosas eivadas das “religiosidades afro-brasileiras”: Antonio que recorda para o povo negro de Salvador, o “pão dos pobres” e “terça da benção”; Aparecida, nossa “negra Mariama”, a soberana Quilombola, a Yalorixá da Palestina, mãe e educadora de Jesus, o “Moreno da Galiléia”; Silva do povo,da simplicidade e da “resiliência”,que nos faz re-nascer constantemente,fazendo “das tripas coração”!
   Salve Toninho! “Patriarca da Pastoral Afro-Brasileira” e da “Comunidade Negra”
   Neste tempo de Natal, podemos afirmar: Padre Toninho, ajudou Deus a se encarnar, em nossa “negra história”; Nas favelas(novos “bantustões”, das cidades partidas do Brasil Não-Nação), nos morros, nos alagados, nos cortiços, nos “conjuntos habitacionais para pobres” e nos mocambos, Deus se faz um de nós… DEUS É NEGRO! DEUS É NEGRA!
   Nos “NOVOS QUILOMBOS”, celebrando a vida e fazendo a história; este ano o Natal do Senhor, terá um “negro sabor”; Sabor de militância e ternura,de aconchego e Axé!
   Ainda mais uma vez, padre Toninho nos ensina a penetrar no “mistério da encarnação de Deus”.
   Neste tempo de Natal, permaneçamos unidos(as) em oração, afrobrasileiramente implorando, que venha até nós “o sol da justiça”.

Toninho está em boa companhia, ele agora é um ancestral nosso. Toninho transformou-se num Orixá. Axé para Pe. Toninho!
Permaneçamos unidos em oração,

Pe. Clovis Cabral,SJ 

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